A japanização do mundo

No Japão a base de moeda impressa pelo BOJ já vai a 100% do PIB. Os juros curtos e longos estão em 0 há vinte anos. A dívida pública já passa dos 250% do PIB. As políticas de super estímulo mal conseguem deixar o PIB japonês acima de zero. Na Europa algo parecido acontece. Juros zeros há muito tempo, BCE imprimiu muito dinheiro e o crescimento não vem, nem a inflação. O EUA são a exceção (por enquanto?). A economia retomou o patamar de 2007, a inflação subiu um pouco e o desemprego caiu muito. Mas a qualidade dos empregos gerados não foi lá essas coisas. O FED levou juros a 2,5% mas já parou com medo do futuro. O que aconteceu com o mundo? Será que o Brasil vai pelo mesmo caminho?

8 thoughts on “A japanização do mundo”

  1. Paulo, respondendo a pergunta, não creio que o Brasil vá pelo mesmo caminho. Creio que os instrumentos de política monetária que esgotaram o potencial no Japão, Europa e menos nos EUA, não se aplicam ao Brasil de juros em patamar historicamente baixo, mais ainda lato para padrões internacionais, tanto em termos nominais, 6,5%, quanto reais, 2,75% anualizados em 2018. Pagamos mais de juros reais que a taxa nominal dos EUA. Aqui os desafios são outros, e o balanço do BC Brasil nem de longe se assemelha aos co BOJA, FED e BCE.
    O que vejo é o Brasil não saber o que fazer com o alto nível de reservas, cujo custo de carrego não deve ser ignorado.
    O novo governo começa com sinalizações importantes em termos de reformas e privatizações. Façamos o dever de casa.

  2. Não sou economista, mas avalio que há grande demanda reprimida por crédito, tanto público quanto privado, cujo custo é controlado pelo sistema financeiro altamente concentrado.
    Além disso, convencionamos que o único instrumento de política monetária é a taxa de juros baseado em expectativas de mercado. Contudo, me parece haver um grande conflito de interesses formar a opinião sobre inflação justo com aqueles que mais ganham com juros mais altos.
    Ato contínuo, recentemente a roleta SFN -> BCB -> SFN rodou. Como o Banco Central será independente se seus presidentes e diretores, em sua maioria são oriundos do mercado financeiro? E a exceção, Tombini, parece que serviu para mostrar que não vale a pena escolher um presidente dentre os funcionários de carreira.
    Como disse acima, não sou economista, mas me parece que a concentração bancária é o grande mal, que não será debelado por abertura comercial porque isso já aconteceu nos anos 90, e a democracia é um balcão de compra de parlamentares.
    Por fim, vejo duas opções que podem ajudar a desconcentrar: mandato duplo do banco central e cooperativas de crédito.
    Ficarei agradecido se puder me dar sua opinião sobre o que escrevi.
    Obrigado.

  3. Paulo, o Brasil está indo rapidamente para o abismo econômico, social e político. e não há uma única sinalização por parte do governo de que essa rota seja interrompida, mas – ao contrário – acelerada! As privatizações não vão salvar o Brasil pelas mesmas, MESMÍSSIMAS razões que não salvaram o país, aliás, pioraram, como PROVAM OS FATOS, aquela hecatombe econômica e social que foi o final do governo de FHC… Apologias não servem para tirar a quinta economia do mundo do buraco. Tem que liberar o crédito, subsidiar o combustível, DESENTESOURAR para atender aos pobres, que é a massa de consumo que mais importa, reverter a entrega criminosa do patrimônio público… enfim, fazer exatamente o que fez Lula… com algumas mudanças, quem sabe, mas no mesmo caminho… abraços

  4. Olá, Paulo. O que você pensa sobre a proposta de capitalização? Ela é realmente um fator importante para alavancar o crescimento do Brasil – como diz Ciro Gomes – e poderia ocasionar a queda de juros no país, ou pode ser uma faca de dois gumes, causando uma queda na renda de parte expressiva da população? Grato desde já. Abraços.

    1. a capitalizacao em si nao e;’ ruim. fundos de pensao de empresas estatais e privadas usam e tem hj quase 1tri de ativos.o problema e’ condicionar isso a tirar o INSS na aposentadoria. os mais pobres nao poupam

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