A morte dos juros no Brasil e no mundo

A guerra comercial entre EUA e China se transformou num guerra tecnológica depois dos eventos de retaliação a empresa Huawei. As negociações ficaram mais complicadas e Trump mais imprevisível. O resultado dessa queda de braço somado a alta de juros nos eua que vinha desde 2017 resultou numa forte desaceleração da economia europeia e americana. O FED parou a alta de juros e caminha agora para cortes. Novos programas de estímulo começam a voltar à mesa para discussão, especialmente na Europa e Japão. Os juros de 10 anos no Alemanha voltaram ao 0%, nos EUA caíram abaixo dos 2%. Hoje 12 trilhões de dólares em títulos públicos rendem juros nominais negativos, a inflação não dá sinais de alta. O crescimento mundial de 2019 será menor do que de 2018. Trump voltou a criticar o FED por conta das altas de taxas de juros. A aproximação das eleições nos EUA aumentará a pressão sobre o FED para cortar juros.

No Brasil a atividade fechara estagnada ou em queda no segundo trimestre. Os dados já divulgados do primeiro trimestre mostram já uma provável queda do PIB. Completaremos 20 trimestres de PIB abaixo do inicio da crise, a pior marca em mais de 50 anos. Os preços caminham para deflação e o mercado de trabalho continua muito fraco. O encaminhamento da reforma da previdência voltou a melhor no congresso e chance de corte da taxa SELIC no segunda semestre é muita alta. A recuperação da economia brasileira é muita lenta, se é que há. Caminhamos aqui também pra uma situação parecida com o resto do mundo onde não há mais juros.

O mundo rico está na situação mais endividada de sua história. Governos com relação dívida/PIB em máximas, em praticamente todos países acima de 100% do PIB; a maioria dos países também com déficits primários relevantes. As famílias e empresas do mundo rico estão ainda com estoques de dívida enormes, em geral acima de 100% do PIB nos países desenvolvidos, apesar de alguma desalavancagem ter ocorrido desde de 2008. Com essa massa incrível de dívidas (e créditos como contraparte) a pergunta que fica é: os juros não deveriam estar nas alturas? Não são o custo de se endividar?

Os juros não sobem pois o peso dessa dívida gigante dificulta o crescimento das economias ricas. Sem crescimento robusto não há pressão inflacionária e sem inflação não há juros. A onda produtiva do leste asiático e a baixa qualidade dos empregos criados nos EUA também contribuem para a manutenção da inflação sob controle. Num sistema extremamente alavancado como o atual, os bancos centrais tem medo de subir as taxas de juros de curto prazo e colocar tudo a perder. Ainda que a situação seja de pleno emprego nos EUA, UK e Japão. O estoque de liquidez criado pelos BCs do mundo rico continua acima de u$10 trilhões e agora deve voltar a ser expandido. os governos do mundo seguem se endividando em sua moeda doméstica para tentar ativar a economia. Mesmo com política monetária extremante agressiva e algum estímulo fiscal o mundo continua atolado em dívidas, causa mortis juros.

*publicado no jornal valor: https://www.valor.com.br/financas/6362299/mundo-vive-morte-dos-juros

3 thoughts on “A morte dos juros no Brasil e no mundo”

  1. A Economia é um ciclo que esta em constantes mudanças podendo ser manipulada sobre as politicas das quais adequam se no periodo.

  2. Estados, empresas e famílias cheios de dívidas. Com todos seus defeitos de acumular dívidas os juros possibilitavam à algumas famílias que tinham alguma poupança um desfrute de consumo. Agora estão consumindo a poupança porque as rendas em geral estão baixando. Asia segue produzindo de tudo e empurrando suas mercadorias. Endividados os governos se sentem travados, e a economia não reage por não perceber oportunidades de produzir e ter lucro e a precarização geral vai aumentando. QUAL é o plano? Onde isso tudo vai dar?

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