A questão de Hong Kong, aula com Elias Jabbour

 

*texto escrito com Felipe Augusto

Contraste entre os modelos de desenvolvimento das vizinhas Hong Kong e Shenzhen é muito instigante. A economia de Shenzhen ultrapassou a de HK em 2018. Nos anos 80, Shenzhen era apenas uma vila de pescadores, enquanto HK já era considerado um dos “tigres asiáticos”. HK se especializou em serviços, particularmente financeiros, tornando-se porta de entrada para investidores estrangeiros interessados na China. O problema é que serviços financeiros não conseguem gerar empregos de qualidade na quantidade necessária. A indústria representa 40% do PIB em Shenzhen e 1% em HK. Shenzhen é sede de várias empresas de alta tecnologia, como a Tencent, Huawei, Foxconn, ZTE e BYD. Empresas sediadas em Shenzhen possuem valor de mercado quase 3 vezes maior do que aquelas sediadas em HK. O Plano Quinquenal mais recente de Shenzhen reservou 30% das terras urbanas para a indústria. HK reservou apenas 3,6%. De olho nas empresas high-tech, Shenzhen determinou que os impostos corporativos ficassem abaixo dos de HK, e quer reembolsar 70% dos juros devidos por startups. Escolhida como primeira Zona Econômica Especial para testar as reformas na China pós-Mao, Shenzhen iniciou seu crescimento, em grande medida, por meio de investimentos externos diretos de HK, que na época era industrializado. HK adotou uma via + liberal, oferecendo sua vantagem comparativa na época, a mão de obra barata, em troca de investimentos externos para produzir bens simples. Quando os custos aumentaram, as fábricas partiram para lugares como Shenzhen que, por meio de incessante planejamento governamental, tornou-se referência mundial em alta tecnologia.

https://www.economist.com/china/2019/02/21/chinas-master-plan-rings-alarm-bells-in-hong-kong

https://www.bloomberg.com/amp/opinion/articles/2020-06-01/i-wish-hong-kong-were-just-another-chinese-city#click=https://t.co/s49vy6rmYt

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Manaus e Shenzen: duas estratégias distintas para o desenvolvimento econômico (maquila introvertida e base de exportação de manufaturas)

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