A Samsung vai produzir vacinas, a Coreia avança no setor da saúde

*escrito por Uallace Moreira

Os chaebols coreanos são empresas estratégicas e diversificadas. Na Coreia preocupam se em defender os interesses nacionais e não destruir as empresas domésticas. Recentemente a empresa Moderna fez uma parceria com a Samsung Biologics, para que a empresa cuide do processo de distribuição total de suas vacinas a serem fabricadas nas instalações da Samsung em Incheon’s Songdo. De acordo com o Ministry of Food and Drug Safety da Coreia do Sul, após a aprovação do uso da Moderna, o objetivo é ampliar a capacidade de produção de vacinas para ampliar o percentual de vacinação no país e também exportar vacinas. A subsidiária da Samsung já estava produzindo vacinas Moderna, a maioria das quais era destinada para mercados internacionais, de acordo com seu cronograma anunciado anteriormente. A Samsung Biologics é responsável por gerenciar os processos de rotulagem e embalagem de vacinas. Agora a estratégia é produzir para atender o mercado internacional e o mercado interno. Muitos que não conhecem a história da Coreia, podem ficar se perguntando por que a Samsung produz vacinas. Os chaebols, como são conhecidas as grandes empresas coreanas, historicamente operaram em atividades relacionadas e não relacionadas. Os Chaebols são empresas nacionais criadas durante a trajetória dos Planos Quinquenais na Coreia, entre os anos 1960 e 1980. São empresas familiares criadas pelo governo para promover o desenvolvimento nacional do país.
Os principais chaebols, como Samsung, Hyundai, LG e Daewoo, tinham mais de 80 empresas afiliadas, cada uma participando de uma ampla gama de indústrias, incluindo semicondutores, eletrônicos de consumo, construção, construção naval,automóveis, comércio e serviços financeiros.

Os chaebols são empresas altamente diversificadas em atividades relacionadas e não relacionadas, deixando claro que estratégias de diversificação relacionadas e não relacionadas visam a diferentes benefícios econômicos com requisitos organizacionais conflitantes às empresas. Na crise da Covid, as grandes empresas Sul coreanas estão sendo essenciais no combate à crise, investindo em inovação e em áreas sociais; aumentaram o investimento em P&D 2% em 2020, com investimento de 40,2 trilhões de wones (US$ 37 bilhões). É a elite interna e nacional. Os gastos das principais empresas sul-coreanas em pesquisa e desenvolvimento (P&D) aumentaram quase 2% nos primeiros três trimestres de 2020, apesar das vendas mais fracas em meio à pandemia de coronavírus. Os gastos com P&D de 217 grandes empresas totalizaram 40,2 trilhões de wones (US$ 37 bilhões) no período de janeiro a setembro de 2020, um aumento de 2,03% em relação ao ano anterior, de acordo com os dados do CEO Score. A Samsung Electronics Co., maior fabricante mundial de smartphones e chips de memória, foi o maior investidor em P&D, com 15,9 trilhões de wones, tornando-se a única empresa a gastar mais de 10 trilhões de wones. LG Electronics Inc., SK Hynix Inc., Hyundai Motor Co., LG Display Co. e Kia Motors Corp. gastaram cada uma mais de 1 trilhão de wones. Junto com a Samsung, eles responderam por 65,2% do total.

A Naver, gigante do portal de Internet, registrou a maior proporção de gastos com P&D para vendas de 25%, seguida pela grande empresa farmacêutica Hanmi Pharmaceutical com 23,4% e o principal desenvolvedor de jogos para celular Netmarble Games com 20,6 por cento. São os verdadeiros grandes oligopólios do país.
Esse indicador só mostra, mais uma vez, o poder de mercado que essas grandes empresas têm na Coreia do Sul. É um processo de concentração de mercado em busca de escala e escopo, construído historicamente pelo Estado, em aliança com as empresas nacionais para competir internacionalmente; como mostro em meu artigo “O debate sobre o processo de desenvolvimento econômico da Coreia do Sul: uma linha alternativa de interpretação”. O investimento dos chaebols no complexo econômico industrial da saúde faz parte de uma estratégia do governo coreano de fortalecer o país nesse setor, com empresas nacionais. Por exemplo, agora na crise, o governo está agindo como inovador e investidor. Investirá 1 trilhão de wons (US$ 895 milhões) na construção de megabanco de dados para coletar informações médicas,promovendo o complexo econômico industrial da saúde. Prevista para ser estabelecida até 2028, a chamada Bio Data Dam abrangerá um grande volume de informações de bio-saúde sobre 400.000 pacientes com câncer e aqueles com doenças raras incuráveis, com 600.000 voluntários.’

Cerca de 41 bilhões de won foram alocados este ano para um projeto piloto, e um estudo de viabilidade preliminar está programado para ser concluído até junho. Nos seis anos a partir de 2023, o governo gastará 987,8 bilhões de won para o grande banco de dados. Um ponto interessante é o envolvimento de Lee Jae-yong, líder da Samsung, nas negociações entre Samsung e a Moderna para a fabricação de vacinas. Pergunta: mas ele não estava preso? Pois é, na Coreia, se pune pessoa física e não jurídica. O ministério da justiça deu liberdade condicional a Lee, principalmente por considerar sua importância para lidar com questões relacionadas à escassez de vacinas e chips. Lee teria estado envolvido em negociações com a alta administração da Moderna para obter a aprovação da empresa dos EUA para o uso doméstico de suas vacinas COVID-19 produzidas na Coreia. Outro ponto que chama a atenção no papel dos chaebols na Coreia é o seu papel social no país. Samsung, Hyundai, LG e outros conglomerados estão cumprindo suas atividades de responsabilidade social corporativa aumentando seu apoio financeiro à comunidade, principalmente por causa da crise da Covid. A Samsung doou 50 bilhões de wones (US$ 46 milhões) para o Community Chest of Korea,em 1º de dezembro de 2020. O Hyundai Motor Group também doou 25 bilhões de wones (US$ 23 milhões) para o Community Chest of Korea. O Grupo LG também doou 12 bilhões de wones para o Community Chest of Korea. Ou seja, além do elevado investimento em inovação, as grandes empresas coreanas também tem responsabilidade social. O dinheiro será usado para reduzir a desigualdade social e fornecer ajuda às pessoas que caíram nos pontos cegos dos programas de bem-estar social do governo. Os Chaebols também estão fortemente envolvidos no New Deal na Coreia,amplo plano de investimento público para estimular a economia, investindo em inovação,sustentabilidade e empregos.

Fontes:

https://www.koreatimes.co.kr/www/tech/2021/10/693_317027.html

A burguesia nacional na Coreia diante do Covid-19: o papel dos grandes Chaebols

http://m.koreaherald.com/view.php?ud=20201209000768

https://scielo.br/scielo.php?pid=S0104-06182017000300585&script=sci_abstract&tlng=pt

http://www.koreaherald.com/view.php?ud=20210526000838

New Deal sul-coreano: um Projeto Nacional de Desenvolvimento

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