A Segmentação Centro Periferia do mercado de trabalho brasileiro

*escrito com Dominik Hartmann

O esqueleto da estrutura de rede de empregos no Brasil (BIOS) revela um padrão centro­-periferia do espaço setorial­-cupacional brasileiro. No centro há umadensa rede de ocupações relacionadas aos setores eletromecânico, metalúrgico, químico e de administração de empresasque pagam os melhores salários. Há no centro do BIOS forte interligação entre a administração  das firmas e as atividades produtivas. Na periferia do BIOS, encontramos diversas atividades econômicas que apoiam o centro: infraestrutura (transportes, manutenção, trabalhadores marítimos e da construção civil), desenvolvimento humano (educação e saúde), serviços (técnicos, meios de comunicação, designers, judiciário, alimentação/restaurantes, varejo e segurança), direito e agricultura. Grupos periféricos de conexão relativamente densa são de ocupações associadas aos setores agrícola, têxtil, de saúde e de educação. “A average path length” das ocupações no centro do BIOS é menor e a conectividade é maior do que na periferia. Isso quer dizer que as ocupações do centro, como administradores de empresas, estão ligadas a muitas outras por meio de um conjunto variado de setores que exigem esses tipos de ocupação. Por outro lado, diversas ocupações periféricas, como maquinistas de trem, encadernadores, ou montadores de aeronaves, somente podem ser encontrados em determinados setores especializados. Assim, essas ocupações mais centrais tendem a também ter a cesso a um conjunto de conhecimentos mais variado, vindo de diferentes setores e ocupações e, portanto, ocupam uma posição mais central na sociedade. Um gestor, por exemplo, estará exposto a um conjunto diverso de ocupações ao longo de sua carreira, ao passo que uma ocupação mais especializada, como a de médico,estaria exposta a um conjunto menos diverso de ocupações.

São resultados de pesquisa que fizemos com mapeamento detalhado do mercado de trabalho brasileiro (em inglês https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=3399239, em português http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/27537)

Partindo de um conjunto de dados de 76.6 milhões de trabalhadores brasileiros e de métodos da ciência de redes, mapeamos o Espaço Setorial­Ocupacional Brasileiro (“Brazilian Industry­-occupation Space” – BIOS). O BIOS mede em que grau 600 ocupações co­aparecem em 585 setores, resultando em uma rede complexa que demonstra como as comunidades setoriais­-ocupacionais fornecem informações importantes sobre a segmentação em rede da sociedade. Identificamos 28 comunidades setoriais­ocupacionais na estrutura em rede do BIOS e relatamos sua contribuição para a desigualdade de renda total no Brasil. Finalmente, quantificamos a pobreza relativa interna e externa dessas comunidades. Em suma, o BIOS revela como a associação de setores e ocupações ajuda a mapear as classes

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