A Tarifa Smoot-Hawley (frequentemente chamada de “Smith-Harley” por engano; os nomes corretos são os senadores Reed Smoot e Willis C. Hawley) foi uma lei tarifária aprovada nos Estados Unidos em 1930, pouco após o início da Grande Depressão. Embora não tenha causado diretamente a crise de 1929, ela agravou significativamente a recessão global e a queda do comércio internacional nos anos seguintes. Veja a história em etapas:
1. Contexto pré-crise (década de 1920):
Durante os anos 1920, os EUA mantiveram tarifas elevadas para proteger sua indústria. Com o crash da Bolsa em outubro de 1929, a economia começou a encolher rapidamente. Em vez de buscar coordenação internacional, o Congresso americano aprovou uma nova rodada de tarifas ainda mais altas em 1930, acreditando que isso protegeria os empregos e as empresas nacionais.
2. O que foi a Tarifa Smoot-Hawley:
Aprovada em junho de 1930, a lei elevou drasticamente os impostos sobre mais de 20 mil produtos importados. Por exemplo, a tarifa média sobre produtos agrícolas subiu para mais de 40%. Foi uma das tarifas mais protecionistas da história dos EUA.
3. Reação internacional:
Diversos países responderam com retaliações, aumentando suas próprias tarifas contra produtos americanos. O Canadá, principal parceiro comercial dos EUA na época, foi um dos primeiros a retaliar, seguido por países europeus. Isso gerou uma espiral de protecionismo global.
4. Impacto sobre o comércio mundial:
Entre 1929 e 1933, o comércio internacional caiu em mais de 60%, segundo dados da Liga das Nações. A Smoot-Hawley é vista como um dos principais catalisadores desse colapso. Economias exportadoras foram duramente atingidas, aprofundando a crise global.
5. Efeitos nos próprios EUA:
A medida não protegeu empregos como prometido. Ao contrário, reduziu as exportações americanas, agravando a queda da produção industrial e o desemprego. Grandes setores agrícolas e industriais sofreram perdas adicionais.
6. Legado:
A Tarifa Smoot-Hawley se tornou um símbolo de erro de política econômica em tempos de crise. Ela ensinou aos formuladores de políticas que respostas protecionistas podem piorar recessões, uma lição que influenciaria a criação de instituições como o GATT e, mais tarde, a OMC.

