A turbina de um avião e as vantagens comparativas de um país

Os países ricos se especializam na produção e exportação de turbinas, os países pobres produzem bananas. Tá certo isso? Uma turbina de avião tem potência de pelo menos 100mil cavalos. Inclui milhares de peças milimetricamente encaixadas. Um motor turbojato funciona comprimindo o ar e fazendo sua combustao atraves de i) um compressor que mistura combustível com o ar comprimido, ii) um combustor que queima a mistura e passa o ar quente de alta pressao através de uma turbina e um bocal. O compressor é alimentado pela turbina que extrai energia do gás em expansão que passa por ela. O motor converte energia interna do combustível em energia cinética produzindo empuxo. Uma bananeira é fácil de plantar.

* comentários de Vinicius Teixeira

Motores aeronáuticos são itens complexos. No montante dos custos de uma aeronave, seu valor pode chegar a 40% do total. O número de fabricantes de aeronaves é algumas vezes maior do que o de fabricante de motores. No caso de motores militares, isso é ainda mais expressivo. Atualmente, EUA, Inglaterra, França, Alemanha, Rússia e China fabricam os motores para seus aviões de caça. Fabricantes Italianos produzem partes e produtos licenciados de outras empresas, assim como o Japão, que fabricou motores de empresas estadunidenses e vem tentando desenvolver motores próprios, mas não para aviões de alto desempenho.

O caso da India merece atenção. Desde os anos 1980 o país busca desenvolver um caça de fabricação própria, o HAL Tejas, também dotado de motor nacional, o Kaveri. O desenvolvimento do avião e do motor se iniciaram em paralelo, sofrendo atrasos devido a falta de recursos e gargalos tecnológicos. No início dos anos 2000 o avião indiano ganhou forma, mas sem o motor, que não havia alcançado potência e confiança suficiente para equipar um avião em voo. O programa de ambos foi desvinculado em 2008, levando a fabricante HAL a buscar uma solução pronta para equipar seu caça, com a opção recaindo sobre os motores GE 404, desenvolvidos nos anos 1970 para equipar a primeira geração de jatos F/A-18 dos EUA. 

Com a adoção de um motor dos EUA, o jato indiano começou a ser fabricado em série. O motor indiano não foi deixado de lado. Um acordo entre a índia e a França, associou a compra dos jatos Rafale a ajuda na solução de problemas com seu motor. Assim a empresa francesa SNECMA passou a fornecer assistência, redesenhando o núcleo da turbina com base em seu motor M-88, que equipa os jatos Rafale. A fabricação dos motores indianos ainda não ultrapassou a fase de protótipos, mesmo após 30 anos de pesquisa e desenvolvimento.

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