John Maynard Keynes, um dos economistas mais influentes do século XX, deu grande ênfase à importância da liquidez para os investidores, especialmente em momentos de incerteza econômica. Em sua obra “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, Keynes argumenta que os investidores tendem a valorizar a flexibilidade que a liquidez oferece, uma vez que manter ativos líquidos permite uma reação rápida a oportunidades ou a riscos inesperados. Para Keynes, a preferência pela liquidez era um comportamento racional diante da incerteza, uma vez que as condições econômicas são voláteis e o valor dos ativos de longo prazo pode flutuar significativamente, afetando a riqueza dos indivíduos. Além disso, Keynes destacou que a liquidez é fundamental para manter a confiança dos investidores. Ele observou que, em tempos de crise, a capacidade de converter ativos rapidamente em dinheiro, sem perda significativa de valor, é essencial para proteger o patrimônio. A falta de liquidez pode levar os investidores a situações de “armadilha de iliquidez”, onde, mesmo possuindo riqueza, não conseguem mobilizá-la para atender necessidades imediatas. Assim, Keynes sugeriu que uma carteira equilibrada deve incluir uma proporção adequada de ativos líquidos, não apenas para aproveitar oportunidades emergentes, mas também para servir como um “colchão de segurança” contra choques econômicos imprevistos.
No livro “A Treatise on Money”, publicado por John Maynard Keynes em 1930, a visão sobre a importância da liquidez começa a ser delineada, embora de forma menos explícita do que em sua obra posterior, “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”. Em “Treatise on Money”, Keynes aborda o papel do dinheiro e da liquidez no funcionamento do sistema econômico, destacando como a oferta e a demanda de moeda influenciam a economia. Ele argumenta que, além de ser um meio de troca, o dinheiro também serve como um ativo importante para os indivíduos devido à sua liquidez, que proporciona segurança em tempos de incerteza e flutuações econômicas. Keynes introduz a ideia de que a liquidez tem um valor intrínseco devido à sua capacidade de proporcionar flexibilidade aos agentes econômicos. Em um cenário onde os retornos dos ativos são incertos, o desejo de manter dinheiro ou ativos líquidos surge como uma forma de se proteger contra riscos potenciais e de manter opções abertas para decisões futuras. Essa análise de Keynes sobre a demanda por moeda vai além do simples uso do dinheiro para transações diárias; ela enfatiza a função da liquidez como uma reserva que dá aos investidores confiança e capacidade de adaptação diante das mudanças econômicas, uma visão que ele desenvolve de forma mais elaborada em seus escritos posteriores.

