A volta da inflação para o Brasil

*escrito por Andre Roncaglia

Inflação brasileira (1995-2021), de acordo com 3 indicadores (IPCA, INPC e IGP-DI):

Separada por governo, a linha azul clara é o IGP-DI, índice geral de preços que capta a média ponderada de preços ao produtor (atacado), construção civil e custo de vida. Fortemente pressionado pela taxa de câmbio e pelo custo de eletricidade, água e insumos importados. Veja o comportamento deste índice no governo Bolsonaro. Note como as outras linhas escuras já empinam sob o empurrão dos preços ao produtor. A rosa é o IPCA, calculado pelo IBGE, que pauta as metas de inflação perseguidas pelo Bacen. Já o INPC mede o custo de vida e serve para o cálculo do salário mínimo e a correção de várias despesas governamentais. O nível dos dois índices já se aproxima das máximas atingidas em 2016, após o tarifaço Levyano de 2015 que corrigiu, de uma vez, as tarifas represadas no primeiro governo Dilma. A situação é péssima para o governo, por que esta inflação ainda é concentrada em bens não-duráveis que afetam mais o orçamento dos mais pobres. A inflação de serviços afeta os mais ricos, mas ainda está dormente, enquanto a reabertura da economia fica no compasso de espera da vacinação ainda lenta. Se a reabertura inflar os preços de serviços enquanto os de bens ainda estiverem pressionados, o INPC tende a acelerar e gerar maiores perdas para o poder de compra do salário mínimo (que, hoje já é de 5%, com a correção para R$ 1169, abaixo da inflação), bem como elevar o preço dos bens consumidos pelo governo, eliminando ainda mais espaço do orçamento de 2022 que, como vimos ontem pelo corte e 92% dos gastos em ciência pelo Ministério da Economia, vai levar a cortes na boca do caixa de outros gastos essenciais, possivelmente, saúde, educação e infraestruturas. Isso tudo em um cenário de anêmica retomada econômica, como já mostram os dados mais recentes de indústria e comércio. Tempos terríveis adiante!

Acumulado em 12 meses:

  • IPCA: 10,25%
  • Alimentação no domicílio: 14,66%
  • Combustíveis: 30%
  • Transportes: 18%
  • Passagem aérea: 57%
  • Gasolina: 40%
  • Etanol: 65%

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