A abertura comercial dos 1990 reduziu a produtividade agregada da economia brasileira?

Em interessante trabalho de 2014 Rodrik mostra como a rodada de abertura comercial e melhora institucional ocorrida na América latina e África acabaram por produzir o resultado “contraintuitivo” de queda da produtividade agregada desses países. O argumento e as evidências empíricas mostradas por Rodrik no trabalho são relativamente simples de se entender. O pequeno aumento de produtividade promovido dentro das empresas sobreviventes foi bem menor do que a transferência de trabalhadores de setores de alta produtividade (indústria e serviços empresariais) para setores de baixa produtividade intrínseca. “In a nutshell”, os trabalhadores da América latina e África saíram de empregos de manufaturas e serviços relativamente sofisticados e foram parar em serviços não sofisticados (varejo, restaurantes, padarias, cabeleireiros, etc). Rodrik mostra que o movimento oposto ocorreu na Ásia dinâmica que ganhou enorme produtividade com a transferência de trabalhadores para os setores “certos”. Rodrik critica as análises micro feitas para Brasil e outros países de América latina e África por não responder a questão mais importante de todas: onde foram parar os trabalhadores que foram demitidos das empresas sobreviventes (para não mencionar a grande maioria das empresas que sumiu)? Rodrik responde: no setor de serviços não sofisticados. Houve regressão tecnológica e produtiva. Na Ásia a “abertura” funcionou, na América Latina e África não. Os dados empíricos que Rodrik mostra são avassaladores.

No Brasil a abertura comercial produziu aumento de produtivida dentro dos setores existentes (within) destruir um monte de seotres produtivos e dinamicos (que da produtividade “between” setores) e destruir varias de nossas capacidades produtivas, ainda que incipientes (matando potencial de learning by doing e ganhos futuros de produtividade, perda de complexidade produtiva). A antiga literatura considera somente o primeiro efeito (within), a nova literatura sobre produtividade considera tambem os dois ultimos!

Vídeo que gravei sobre o tema:

*http://drodrik.scholar.harvard.edu/files/dani-rodrik/files/globalization_structural_change_productivity_growth_with_africa_update.pdf?m=1435002696

O próprio Rodrik:

http://drodrik.scholar.harvard.edu/files/dani-rodrik/files/globalization_structural_change_productivity_growth_with_africa_update.pdf?m=1435002696

https://drodrik.scholar.harvard.edu/files/dani-rodrik/files/globalization-structural-change-and-productivity-growth.pdf

Paper aqui:

http://drodrik.scholar.harvard.edu/files/dani-rodrik/files/globalization_structural_change_productivity_growth_with_africa_update.pdf

Incrível trabalho de Paulo Morceiro

https://www.researchgate.net/profile/Paulo_Cesar_Morceiro/publication/332652335_Industrializacao_e_Desindustrializacao_Brasileira_pela_Otica_do_Emprego/links/5cc1c1f1299bf120977f67fa/Industrializacao-e-Desindustrializacao-Brasileira-pela-Otica-do-Emprego.pdf?origin=publication_detail

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