Agronegócio no Brasil: Grande Gerador de Empregos, Mas com baixa Qualidade e Remuneração

O setor agropecuário brasileiro é frequentemente destacado como um dos pilares da economia nacional, principalmente pela sua capacidade de gerar empregos em larga escala. No entanto, uma análise mais aprofundada dos dados revela questões importantes que merecem atenção, especialmente no que diz respeito à qualidade desses empregos e à forma como as estatísticas são apresentadas.

Segundo um levantamento recente, o agro brasileiro manteve 28,5 milhões de trabalhadores no terceiro trimestre de 2024, superando o número de empregos no mercado do estado de São Paulo, tradicionalmente visto como a locomotiva econômica do país. Contudo, essa visão amplificada do setor agropecuário incorpora outras atividades, como a indústria de alimentos, que emprega cerca de 7 milhões de pessoas com uma remuneração média de R$ 2.200 mensais. Essa inclusão mascara a realidade do núcleo do agro — as atividades diretamente ligadas ao campo — que empregam cerca de 7 milhões de pessoas com um salário médio ainda menor, em torno de R$ 1.700.

Essa disparidade fica ainda mais evidente quando comparada à média salarial nacional, que é de R$ 3.500, e à média salarial do estado de São Paulo, que alcançou R$ 4.263 em 2022. Embora o agro tenha grande impacto no número total de empregos, ele oferece remunerações significativamente inferiores, o que evidencia um desafio estrutural: a qualidade do emprego no setor. Além disso, a absorção de uma parcela considerável da mão de obra nacional (26% da força de trabalho ativa) com salários baixos pode contribuir para perpetuar desigualdades regionais e limitar a mobilidade econômica dos trabalhadores.

Outro ponto a ser considerado é o papel do agro como impulsionador de renda e desenvolvimento econômico. Embora o setor seja vital para a balança comercial e para a segurança alimentar, a baixa remuneração média de seus trabalhadores levanta questões sobre a sustentabilidade desse modelo, especialmente em comparação com outros setores econômicos mais produtivos e de maior valor agregado.

Portanto, apesar do agro ser essencial para a economia brasileira, é necessário repensar as estratégias de valorização do trabalho no setor, promovendo maior qualificação, investimentos em tecnologia e melhores condições de remuneração. Assim, será possível alinhar a relevância econômica do agro com a melhoria da qualidade de vida de seus trabalhadores, gerando não apenas empregos, mas empregos dignos e capazes de contribuir para a redução das desigualdades sociais e econômicas no Brasil.

dados agro aqui: https://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx

Aqui está o ranking dos 20 maiores países em manufatura per capita (valor adicionado em USD por pessoa):

1. Irlanda: $39,752.40

2. Suíça: $15,992.44

3. Alemanha: $9,052.28

4. Coreia do Sul: $8,207.15

5. Japão: $8,135.65

6. Estados Unidos: $7,523.25

7. França: $3,814.83

8. Itália: $4,732.33

9. Canadá: $4,267.37

10. Reino Unido: $3,870.36

11. Arábia Saudita: $4,648.03

12. Rússia: $1,984.88

13. Espanha: $3,461.72

14. China: $3,548.52

15. México: $2,075.57

16. Turquia: $2,352.83

17. Brasil: $987.77

18. Indonésia: $1,031.88

19. Tailândia: $1,912.13

20. Índia: $323.84

Esses valores mostram como países com menores populações e economias mais industrializadas possuem altos índices de manufatura per capita, enquanto economias emergentes tendem a apresentar valores mais baixos.

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