Argentina anuncia novo regime cambial e empréstimo com FMI

Novo regime cambial anunciado na Argentina: o governo estabeleceu um intervalo de negociação para o peso argentino entre 1.000 e 1.400 pesos por dólar. Trata-se de um regime de câmbio semi-fixo, no qual o Banco Central intervém vendendo dólares no teto (1.400) e comprando no piso (1.000), buscando controlar a volatilidade e orientar o câmbio dentro desses limites.

Essa medida foi acompanhada por um pacote de negociação de aproximadamente US$ 20 bilhões, valor relevante para os padrões da economia argentina, que visa liberar parcialmente o mercado cambial, inclusive facilitando remessas de lucros e dividendos. Trata-se, portanto, de uma liberalização “com aspas”, pois há ainda controles via bandas. A grande questão é se o mercado acreditará na credibilidade desse regime. Caso ocorra fuga de capitais, o câmbio pode rapidamente pressionar o teto de 1.400 pesos. Por outro lado, uma onda de confiança pode atrair dólares e sustentar o regime por mais tempo.

Esse tipo de regime cambial intermediário não é novidade na América Latina. O Brasil operou com banda durante o Plano Real, mas com margens bem estreitas. Já o Chile utilizou bandas entre 1983 e 1999, com maior amplitude, semelhante ao modelo argentino atual. Na história recente brasileira, destaca-se a “banda diagonal endógena” de Chico Lopes, que durou apenas 2 dias, enquanto seu mandato no Banco Central não passou de um mês.

Do ponto de vista macroeconômico, o câmbio argentino segue sobrevalorizado, com déficit em conta corrente e inflação elevada. Isso tende a empurrar o câmbio mais próximo de 1.400 pesos por dólar ao longo do tempo. No entanto, não se descarta um movimento inicial de otimismo e entrada de capitais, dado o alinhamento pró-mercado do governo Milei.

Nos Estados Unidos, o fim de semana trouxe alívio com mais um recuo do ex-presidente Trump em relação à imposição de tarifas sobre eletroeletrônicos vindos da China — um recuo importante, dado que os EUA são altamente dependentes de importações de computadores, chips e smartphones fabricados na China. Isso trouxe certo alívio aos mercados, principalmente no setor de tecnologia. As chamadas “Magnificent Seven” — empresas como Apple, Microsoft, Nvidia, entre outras — são diretamente impactadas por essas medidas protecionistas.

Na semana passada, o mercado de títulos dos EUA apresentou comportamento atípico. A Treasury de 10 anos subiu para 4,50%, e a de 30 anos também teve alta, mesmo com o petróleo em queda para US$ 60 o barril — uma quebra de correlação histórica. Além disso, a expectativa de inflação medida pela Universidade de Michigan subiu, enquanto o mercado de TIPS (títulos indexados à inflação) precificava uma queda nas expectativas inflacionárias, o que sugere uma dissonância entre diferentes indicadores.

No Brasil, a semana será mais curta por conta do feriado da Páscoa. O último Relatório Focus não trouxe surpresas: a expectativa para o IPCA em 2025 segue em 4,50%, com projeção de 5,65% para 2024 e 4,00% para 2027. A taxa Selic esperada para o fim de 2024 permanece em 11,5%, e em 12,5% para 2025. O IPCA de março veio dentro do esperado, com comportamento razoável, e os ativos reagiram bem: o Ibovespa teve alta na semana, e o dólar recuou para a casa dos R$ 5,80.

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