As crises na Argentina nunca acabam!

Argentina #TBT. A inflação na Argentina corre a mais de 50% ao ano, a economia caminha novamente para uma indexação informal em dólares com risco até de hiperinflação. O déficit em conta corrente está na casa 4%, a produção industrial e PIB despencaram. Com reservas na casa de U$60 bilhões e uma dívida externa de mais de U$250 bilhões não haverá solução sem ajuda do FMI. O plano de Macri era privatizar o que restou na economia e reduzir o papel do Estado. O caso de Aerolíneas é típico: tinha monopólio nos anos 90, foi privatizada por Menem e reestatizada por Cristina; Macri não a reprivatizou, mas acabou com o monopólio nos voos abrindo os céus para as low-cost, inclusive as estrangeiras. Ao controlar gastos públicos e liberalizar e economia esperava uma “chuva de investimentos” que não vieram. Acabou cumprindo pouco do que prometeu e não mostrou resultados relevantes na economia.

A situação que já era grave se deteriorou ainda mais. O plano Macri era basicamente repetir a fórmula Menem/Cavallo agora na versão câmbio flutuante. Depois da bem sucedida implantação da caixa de conversão e do programa de estabilização com forte crescimento no início dos 90, o câmbio real argentino se apreciou muito, especialmente após o fortalecimento do dólar na segunda metade dos 90 e da desvalorização brasileira em 1999 a arrastou a Argentina para grande crise. No final de 2001 as taxas de juros pagas pelos títulos da dívida externa Argentina se aproximavam de 50%, bem parecido com o caso grego. Após divergências com Menem, Cavallo havia voltado para o governo com De La Rua em 2001 para tentar consertar os erros do plano de conversibilidade que mergulhara a Argentina numa recessão.

Os erros argentinos de sobrevalorização da moeda que levaram a grandes déficits em conta corrente que por sua vez levaram a crises de desvalorização e inflação lembram a ancoragem cambial praticada no Brasil dos anos 1990 e no México do final dos 1980. Fruto de uma âncora cambial para acabar com a inflação implantada em 1987, o peso mexicano sofreu sobrevalorização e depois violenta desvalorização em Dezembro de 1994. Em janeiro de 1995, 9.000 companhias mexicanas faliram e mais de 1 milhão de mexicanos foram demitidos. O empréstimo de 20 bilhões de dólares oferecido pelos EUA não foram suficientes. Foi a crise da Tequila. No Brasil a conta da sobrevalorização da moeda nos anos 1990 chegou com a grande desvalorização de Janeiro de 1999. Chegava ao fim nossa âncora cambial implantada em Julho de 1994 para ajudar na estabilização de preços do plano real. Depois de algum crescimento, nossas contas externas saíram do controle. O endividamento em moeda estrangeira explodiu e passamos a sofrer recorrentes ataques especulativos contra o real. Nossos juros dispararam e o governo brasileiro da época passou a usar a SELIC nas alturas para tentar segurar a fuga de capital. Não funcionou também.

A Argentina representa um caso paradigmático na América Latina do padrão de sobrevalorização cambial e crise desde os 90. As previas de Agosto para a eleição aceleraram algo que já não vinha bem e agora a tensão financeira deve sacramentar a derrota de Macri. O novo governo devera acenar para o centro, mas essa nova crise da Argentina veio para ficar e vai, claro, atrapalhar o Brasil que também passa por enormes dificuldades.

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