As grandes indústrias da Austrália

*escrito com Joao P. Romero

A história econômica da Austrália e’ intimamente relacionada a narrativa do desenvolvimento de sua produção de produtos primários. O período de 1890–1965 foi marcado por uma regulação econômica relativamente intensa, com a expansão da produção de manufaturas para o consumo interno, que, depois da Segunda Guerra Mundial, tornou-se parte mais significativa da economia australiana. Em 1960, as manufaturas eram responsáveis por 28% do PIB. No final de 1960, enquanto cresciam as importações da Austrália de produtos dos EUA, elevavam-se as exportações do pais para o Japão. Em 1983, contudo, e então implementada uma serie de reformas que visavam ao aumento da eficiência das indústrias australianas, permitindo que tivessem acesso as finanças internacionais por meio da abertura dos mercados. Isso fez com que a exportação de bens primários e baseados em recursos aumentasse, ocasionando queda na diversidade das exportações australianas de 1981 ate 1990. Isso ocasiona ainda aumento da participação das importações de alta tecnologia. Em 1996, o Partido Trabalhista e’ substituído pela coalizão liberal-nacional nas eleições gerais desse mesmo ano. O cambio australiano passou, então, a ser flutuante e grande parte das tarifas para manufaturados e agricultura foram retiradas, além da privatização e eliminação de monopólios por parte do governo.

A analise dos índices de qualidade (Feenstra e Romalis (2014) da produção e exportação da Austrália indicam que o pais ocupa 13o no ranking de qualidade media da produção, enquanto o Canada ocupa o 15o lugar o Brasil ocupa apenas a 39 posição. A qualidade produtiva brasileira e’ baixa, mesmo nos setores de sua especialização, ou seja, em produtos primários e baseados em primários. Já a Austrália e o Canada, por outro lado, apresentam industrias com elevada qualidade bem distribuídas entre os diversos setores. Alem disso, tanto os índices de qualidade como o Índice de Desenvolvimento Estrutural (IDE) indicam que as estruturas produtivas da Austrália e do Canada apresentam grandes semelhanças, apesar de as exportações de produtos primários tomarem peso desproporcional dentro da pauta de exportações da Austrália. Por fim, o fato da Austrália e do Canada apresentarem elevado IDE e também elevados números de industrias com qualidade acima da media mundial chama a atenção para a possível relação entre as duas variáveis. Ou seja, a proximidade dos dois indicadores parece sugerir que países que conseguem atingir maior desenvolvimento de sua estrutura produtiva (i.e. possuir elevado numero de industrias de media e alta tecnologia per capita) também se tornam mais capazes de elevar a qualidade de sua produção em todos os setores, não só nos setores de media e alta tecnologia. Esse resultado não surpreende, uma vez que a produção de bens de media e alta tecnologia não só apresenta elevada complexidade, o que indica a maior capacidade produtiva da economia, como a produção desses setores também e capaz de criar fortes externalidades positivas sobre os demais setores, ao demandar ou prover insumos de maior qualidade.

Produção manufatureira no mundo por país:

https://www.indexmundi.com/facts/indicators/NV.IND.MANF.CD/rankings

Composição do Emprego na Austrália:

http://lmip.gov.au/default.aspx?LMIP/EmploymentData_EmploymentbyIndustry

Top 10 indústrias (market cap)

1 Caltex ($21.7 billion), refino de petroleo

2 Fonterra Co-op Group ($18.9 billion), processamento de alimentos

3 Perth Mint ($18.8 billion), metalurgia

4 BP Australia ($16.6 billion), refino de petroleo

5 Viva Energy ($15.7 billion), refino de petroleo

6 Amcor ($12.7 billion), manufaturas de polimeros e borracha

7 BlueScope Steel ($11.5 billion), metalurgia

8 CSL ($10.7 billion), farmaceutica

9 ExxonMobil ($10.5 billion), refino de petroleo

10 Visy ($6.7 billion), papel e celulose

Ver: 100 maiores manufaturas aqui:

https://www.nationalmanufacturingweek.com.au/content/dam/sitebuilder/rxau/national-manufacturing-week/NMW19-IBISWorld-Top100-final.pdf

Ver: https://www.researchgate.net/publication/323918171_Estrutura_produtiva_e_crescimento_Uma_analise_comparativa_de_Brasil_Australia_e_Canada

FEENSTRA, R; ROMALIS, J. International prices and endogenous quality. Quarterly Journal of Economics, v. 129, n. 2, p. 477-527, 2014.

https://academic.oup.com/qje/article/129/2/477/1866808

Abstract

The unit values of internationally traded goods are heavily influenced by quality. We model this in an extended monopolistic competition framework where, in addition to choosing price, firms simultaneously choose quality subject to nonhomothetic demand. We estimate quality and quality-adjusted price indexes for 185 countries over 1984–2011. Our estimates are less sensitive to assumptions about the extensive margin of firms than are purely “demand-side” estimates. We find that quality-adjusted prices vary much less across countries than do unit values and, surprisingly, the quality-adjusted terms of trade are negatively related to countries’ level of income.

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