Em Manufacturing Matters, Stephen Cohen e John Zysman argumentam que a manufatura é fundamental para a saúde econômica de um país, especialmente em termos de crescimento, produtividade e inovação. Eles desafiam a visão de que uma economia pode prosperar focando exclusivamente em setores de serviços e financeiros, sem uma base sólida de produção industrial.
Os autores explicam que a manufatura não só cria empregos diretos, mas também gera demanda por serviços auxiliares e cria inovações tecnológicas que se espalham para outros setores da economia. A manufatura, segundo Cohen e Zysman, é um motor essencial para a produtividade e a competitividade de longo prazo, e a ausência de uma base manufatureira forte pode levar à perda de inovação e ao declínio econômico.
Eles também discutem as políticas industriais que podem ajudar a revitalizar a manufatura nos países desenvolvidos, argumentando que o governo deve desempenhar um papel ativo em apoiar a indústria, fornecendo incentivos e criando um ambiente favorável para a inovação. O livro enfatiza a necessidade de políticas coordenadas para fortalecer a base industrial, ao invés de depender apenas de forças de mercado.
Manufacturing Matters defende que a fabricação de bens materiais é vital para a sustentabilidade econômica e deve ser vista como uma prioridade estratégica, não apenas para garantir empregos e crescimento, mas também para assegurar uma posição competitiva no cenário global.
Em Manufacturing Matters, Stephen Cohen e John Zysman analisam como o declínio do setor manufatureiro nos Estados Unidos impactou a economia e a posição competitiva do país. Eles destacam alguns exemplos que ilustram a importância da manufatura e as consequências de sua perda:
- Declínio da Indústria Automotiva: Os autores discutem como o declínio da indústria automotiva dos EUA, especialmente no Rust Belt (área industrial dos EUA que engloba estados como Michigan, Ohio e Pensilvânia), afetou não apenas empregos diretos, mas também fornecedores e indústrias relacionadas, como metalurgia e tecnologia. A desindustrialização resultou em desemprego elevado, perda de habilidades técnicas e declínio da competitividade.
- Setor de Alta Tecnologia: Cohen e Zysman também falam sobre a importância do setor de alta tecnologia para o crescimento e a inovação dos EUA. A indústria de semicondutores é usada como exemplo de como o suporte governamental, através de programas como o Sematech (um consórcio público-privado para promover a pesquisa em semicondutores), ajudou a recuperar a competitividade americana frente ao Japão. O fortalecimento da manufatura de alta tecnologia contribuiu para que os EUA permanecessem na vanguarda da inovação.
- Aeroespacial e Defesa: O setor aeroespacial, ligado à defesa, é outro exemplo dado pelos autores para destacar como a manufatura avançada é fundamental para a segurança nacional e o desenvolvimento tecnológico. Programas governamentais, como contratos militares, não apenas sustentaram empregos, mas também promoveram o avanço de tecnologias críticas que foram aplicadas a outras áreas da economia, como a aviação civil e comunicações.
- Produção Eletrônica e Computadores: A mudança da produção de eletrônicos e computadores para países asiáticos, em busca de mão de obra barata, é outro exemplo mencionado. Embora essa transferência tenha reduzido custos para as empresas, os EUA perderam capacidades produtivas e empregos que antes estavam ligados a esses setores. Além disso, os autores apontam que a perda de manufatura compromete a capacidade do país de inovar em tecnologias relacionadas.
Cohen e Zysman argumentam que esses exemplos mostram que a manufatura não é uma atividade isolada e que sua perda tem consequências em toda a cadeia de valor, afetando desde o desenvolvimento de novas tecnologias até a capacidade de inovar em áreas de ponta. Eles defendem que, para garantir um crescimento sustentável e manter a liderança global, os EUA precisam revitalizar e apoiar seu setor manufatureiro, pois é nele que se criam os fundamentos para um avanço econômico sólido e duradouro.


