As missões para a neoindustrialização do Brasil

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) planeja apresentar uma proposta abrangente para o setor industrial que visa coordenar ações entre os setores público e privado, buscando ampliar a competitividade da indústria doméstica e impulsionar o crescimento econômico, o emprego e o desenvolvimento, alinhado com as tendências contemporâneas. Diferentemente das formulações anteriores, a nova política industrial destaca-se pela vinculação à digitalização e à descarbonização, além de visar suprir necessidades sociais urgentes. Sua estruturação baseia-se no conceito de missões, em vez de setores econômicos, com foco em saúde, segurança, infraestrutura e transformação digital. A política industrial agora busca endereçar os grandes problemas da sociedade em vez de se concentrar em políticas setoriais específicas. As seis missões são:

  1. Cadeias Industriais Sustentáveis e Digitais para Segurança Alimentar, Nutricional e Energética: Foco na construção de sistemas industriais que garantam segurança em alimentos, nutrição e energia de maneira sustentável e digital.
  2. Complexo Econômico e Industrial da Saúde Resiliente: Busca consolidar uma estrutura econômica e industrial de saúde resiliente, reduzindo a vulnerabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) em relação ao suprimento externo e ampliando o acesso à saúde.
  3. Infraestrutura, Saneamento, Moradia e Mobilidade Sustentáveis: Visa promover o desenvolvimento sustentável nas áreas de infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade, integrando produção e bem-estar nas cidades.
  4. Transformação Digital da Indústria para Ampliar a Produtividade: Busca impulsionar a transformação digital na indústria, visando aumentar a produtividade e a eficiência nos processos.
  5. Bioeconomia, Descarbonização, Transição e Segurança Energética: Centra-se na promoção da bioeconomia, descarbonização, transição e segurança energética, assegurando recursos para as próximas gerações.
  6. Desenvolvimento de Tecnologias de Interesse da Soberania e Defesa: Prioriza o desenvolvimento de tecnologias estratégicas para a soberania e defesa do país.

Apesar das limitações dadas as condições políticas e o baixo crescimento econômico, a nova abordagem destaca a inovação como elemento central. Cada missão é acompanhada por grupos de trabalho que identificam gargalos e coordenam ações de fomento em linhas e nichos prioritários. Destaca-se o nicho prioritário do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, que visa garantir a produção nacional de pelo menos 60% do suprimento do SUS, reduzindo a dependência de indústrias estrangeiras. Para concretizar as propostas, o Ministério da Saúde já abriu consultas públicas para programas que expandem a produção de itens prioritários para o SUS. Além disso, foram lançados editais do programa Mais Inovação Brasil, com foco em transição energética, bioeconomia, infraestrutura e mobilidade, totalizando um investimento de 20,8 bilhões de reais.

6 thoughts on “As missões para a neoindustrialização do Brasil”

  1. Parece ser um bom plano, ousado e muito abrangente, a questão é ver como reagirá a Faria Lima, o Leblon, o Savassi, Brasília, etc … para que realmente o fluxo de capital flua nessas direções e saiam das tocaias enrustidas dos investimentos financeiros, sem qq vínculo em produção e desenvolvimento.

  2. Nenhuma das missões são missões..São grande áreas, muitas com atividades produtivas importantes porém não são missões. Missão pressupõe objetivo definido, metas, os agentes inovadores (campeões nacionais, para que possa ter PPP, recursos de financiamento definidos, tecnologias que serão desenvolvidas nacionalmente e as que serão importadas e as nossas capacidades científicas, tecnológicas e humanas em.cada missão. Nada disso está definido. Então continuamos sem capacidade política de definir as prioridades. Vamos repetir 2002/2016 com três políticas industriais, ou melhor, nenhuma..A conferir.

  3. A missão Complexo Econômico e Industrial da Saúde Resiliente já começou quando o presidente Lula disse não às condições do acordo Mercosul-UE, limitando participações ilimitadas de grandes conglomerados farmacêuticos Europeus nas licitações públicas.

  4. Tudo tem que parecer mudar, para continuar igual. Por onde anda a “neoindustrialização”? Vamos repetir o mesmo padrão dos anos da ” substituição de importação”? Política de inovação industrial sem o objetivos, metas, orçamento definido por programas específicos é a repetição dos erros das três políticas industriais de Lula I e II e Dilma. Financiar empresas individuais repete a estratégia de minimização do investimento em inovação e em bens de capital. Sem uma estrategia que articule a oferta de bens públicos, que andem na frente das demandas sociais, planejamento, não em inovação pois esta depende do poder de comprado Estado. Será que achamos que o capital chinês é diferente do americano na sua busca por mercados que aumentem a sua acumulação de capital? Qual a capacitação tecnológica que ganhamos? Apenas o ” learning by doing” de sempre?

  5. A proposta do CNDI para a neoindustrialização do Brasil é promissora, focando em missões como segurança alimentar e transformação digital. A ênfase na inovação e os investimentos anunciados indicam um compromisso real, apesar dos desafios políticos e econômicos. A abordagem é um passo importante para uma indústria mais sustentável e resiliente.

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