Entre os principais destaques da manhã, está a notícia de um cessar-fogo temporário no conflito entre Irã e Israel. Com isso, o preço do petróleo caiu cerca de 4%, retornando para abaixo dos 70 dólares por barril. Os mercados reagem com alívio. O ataque ocorrido ontem foi, em certa medida, “combinado”, o que já havia trazido algum alívio aos mercados ao longo do dia. Ainda houve o fechamento do espaço aéreo nos Emirados Árabes e no Catar, mas o anúncio oficial do cessar-fogo ao final do dia consolidou o movimento. Embora ataques isolados tenham persistido, ambos os lados afirmam que eram operações previamente programadas.
Outro ponto importante foi o depoimento do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no Congresso americano. Em contraste com declarações mais dovish de membros do Fed no dia anterior — como Michelle Bowman, que chegou a sugerir cortes já em julho —, Powell adotou um tom mais cauteloso. Ele afirmou que a economia dos EUA segue sólida, mas que ainda é necessário observar melhor os impactos das tarifas e da inflação. Segundo ele, “não há pressa” para iniciar cortes de juros. O mercado continua precificando dois cortes até o final do ano, encerrando 2025 com a taxa básica em torno de 4%, como já indicado na ata anterior do Fed.
No Brasil, a ata do Copom divulgada hoje detalha e justifica a decisão de elevar a Selic para 15% ao ano. O Comitê reconhece que a economia ainda não sentiu totalmente os efeitos do aperto monetário acumulado — os 475 pontos-base já implementados — e que a resiliência da atividade econômica exige a manutenção de uma política significativamente contracionista por um período prolongado. O BC sinaliza que, se necessário, poderá voltar a subir os juros. O recado é claro: a inflação não decorre apenas de choques de oferta, como energia, alimentos ou câmbio. O núcleo do IPCA segue acima da meta há vários meses, refletindo também pressões de demanda.
Essa leitura é reforçada pela lucratividade das empresas e pela persistência dos núcleos de inflação elevados, o que indica uma disseminação mais ampla e estrutural dos reajustes de preços. Apesar disso, o Monitor do PIB da FGV apontou queda da atividade em abril, divergindo dos dados da PMC, PMS e IBC-Br. Será importante acompanhar os indicadores do segundo trimestre para entender a tendência da economia.
O Copom também destaca os riscos do ambiente fiscal. O enfraquecimento das reformas e o elevado volume de transferências de renda pressionam a demanda agregada e podem elevar a taxa neutra de juros. Além disso, permanece a preocupação com a volatilidade cambial diante das incertezas externas, como os conflitos no Oriente Médio. O mercado de crédito ainda mostra expansão, mas já dá sinais de desaceleração.
Por fim, a ata revela uma votação unânime no Comitê, com todos os membros preocupados com o descasamento entre a inflação corrente e a meta, e com expectativas ainda desancoradas. O veredito, portanto, é de uma Selic em 15% ao ano, ao menos até o primeiro trimestre de 2026.
Ao longo da semana, teremos uma agenda carregada: CAGED, PNAD Contínua, IPCA-15 e dados de inflação e crescimento nos EUA.


