Ata do COPOM mostra voto técnico e dividido

Começando pela divulgação da ata do COPOM que traz mais detalhes da última decisão de cortar a Selic de 10,75% para 10,50%. Interessante que eles mantiveram a discussão dos grupos, o grupo que votou pelo corte de 0,25% e o grupo que votou pelo corte de 0,50%. Há unanimidade sobre a necessidade de uma política monetária consistente, o compromisso com a meta de inflação e a preocupação com a desancoragem das expectativas. A expectativa de inflação para este ano está em 3,7% e para o próximo ano, em 3,6%. Também há unanimidade em relação à preocupação com o cenário externo mais adverso, com a taxa de juros de 10 anos chegando a 4,50%, e o mercado de trabalho aquecido no Brasil, com o medo da inflação de serviços. Não houve divergência dos diretores em relação a esses temas fundamentais. A divergência se deu no ritmo de cortes, sendo que o grupo que votou pelo corte de 0,50% estava mais preocupado em se manter fiel ao guidance anterior do BC, enquanto o grupo que votou pelo corte de 0,25% estava preocupado com a credibilidade do BC em combater a inflação. Portanto, esse grupo de cinco diretores achou que não cumprir o guidance não seria tão problemático, dado que eles haviam condicionado o cenário a isso. A ata é mais explícita em relação a esses motivos, mas não resolve a questão. Mostra que há uma divergência de visões que deve voltar a aparecer no futuro. Acredito que esse debate deve voltar a ser colocado no final do ciclo. Na próxima reunião, possivelmente todos votarão por um corte de 0,25%, mas a discussão deve retornar no término do ciclo. É certo que estamos próximos do final do ciclo, mas não sabemos exatamente onde ele terminará. Hoje de manhã tivemos também a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços, que mostrou um setor de serviço mais forte no Brasil, com crescimento de 0,4% em março em relação a fevereiro. Isso deve colocar o crescimento do PIB brasileiro perto de pelo menos 0,3% no primeiro trimestre deste ano. Uma boa notícia, mas que também traz preocupações inflacionárias. Além disso, tivemos um dado ruim dos Estados Unidos, o PPI do produtor, com inflação correndo a 0,5%, bem pior do que o esperado. Apesar disso, o mercado reage bem, com os DIs em queda e a taxa de juros de 10 anos comportada em 4,48%. O mercado está digerindo bem a ata e o dado de PMS no Brasil, além do dado de PPI nos Estados Unidos. Sobre a ata, acredito que foi uma decisão bastante técnica, não vejo qualquer temor em relação ao COPOM. Os diretores são muito técnicos e o debate é natural.

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