Foi divulgada a ata do Copom logo pela manhã. Como já era amplamente esperado, não houve grandes novidades: a taxa Selic foi mantida em 15%, com decisão unânime e sem sinalizações sobre os próximos passos. A principal mensagem é que a política monetária seguirá em território significativamente contracionista por um período prolongado. Em outras palavras, não devemos esperar cortes de juros antes do primeiro trimestre de 2026.
As expectativas de inflação do Boletim Focus continuam elevadas: cerca de 5% para 2025, 4,4% a 4,6% para 2026 e pouco abaixo de 4% para 2027 — todas acima do centro da meta, que é de 3%. No cenário externo, há risco adicional com a possibilidade de os EUA imporem mais tarifas comerciais ao Brasil, o que poderia trazer pressão sobre o câmbio. Apesar disso, o real tem se valorizado recentemente, sustentado pelo elevado diferencial de juros. Hoje, por exemplo, o dólar está cotado em torno de R$ 5,50.
A ata também reforça a importância da política fiscal para a ancoragem das expectativas de inflação. O Copom parece disposto a aguardar os próximos desdobramentos antes de tomar qualquer nova decisão, especialmente diante do patamar já bastante elevado da taxa de juros.
No mercado de trabalho, os dados do CAGED divulgados ontem mostraram força: foram 166 mil vagas com carteira assinada criadas em junho, acumulando 1,2 milhão de empregos formais no primeiro semestre. Apesar da desaceleração econômica no segundo trimestre, o mercado de trabalho segue resiliente, com a taxa de desemprego em 5,8% (segundo a PNAD Contínua). Esse cenário mantém a inflação de serviços pressionada, dificultando o processo de desinflação.
Diante disso, o cenário mais provável é que a taxa Selic seja mantida em 15% até o início de 2026, enquanto o Copom observa o comportamento da inflação, da economia americana e da política fiscal doméstica. Vale lembrar que o mercado projeta até três cortes de juros nos EUA ainda neste ano, o que pode ajudar o Brasil, ao ampliar o diferencial de juros e fortalecer o real — favorecendo o controle da inflação.
Portanto, a ata reforça os pontos que já vinham sendo comentados na semana passada e confirma que a política monetária continuará bastante restritiva por mais tempo.


