Atividade econômica desacelerando no Brasil

A semana começa com dados importantes para a economia brasileira. Nesta segunda-feira, 1º de setembro, o Relatório Focus trouxe mais uma revisão para baixo das expectativas de inflação: 4,85% em 2024 e 4,31% em 2025. A taxa Selic segue projetada em 15% no fim deste ano e 12,50% no próximo. Já a projeção para o PIB ficou em 2,19% em 2024 e 1,87% em 2025.

Amanhã sai o dado oficial do PIB do segundo trimestre, que deve mostrar desaceleração relevante, com crescimento em torno de 0,4% a 0,5% em relação ao primeiro trimestre. Os indicadores de atividade e mercado de trabalho vêm sinalizando fraqueza. A produção industrial, atualizada até 21 de agosto, já mostra contração, refletindo os efeitos das tarifas sobre parte da indústria nacional. O índice de clima da PMI market está no menor nível em dois anos, e os dados de confiança divulgados pela FGV na sexta-feira — consumidor, comércio, construção e indústria — também vieram muito fracos. O conjunto desses números indica uma economia em perda de fôlego, caminhando para estagnação. Por outro lado, a inflação mostra sinais de alívio.

Nos Estados Unidos, o feriado do Dia do Trabalho deixou os mercados mais parados hoje, mas aqui no Brasil o foco está na divulgação do PIB de amanhã. Agosto foi um mês muito positivo para os ativos brasileiros. A bolsa acumulou alta de 6%, a maior do ano, com o Ibovespa superando os 140 mil pontos. O real também mostrou força, encerrando o mês perto de R$ 5,40 por dólar. O desempenho foi impulsionado pela sinalização de que o Federal Reserve pode cortar juros em setembro, o que derrubou os rendimentos longos nos EUA e deu algum alívio também à curva de juros no Brasil, embora em menor intensidade. A taxa longa voltou a se aproximar de 13,6%, contra 13,7% no início do mês.

No balanço, o mês de agosto terminou com valorização forte da bolsa, melhora do câmbio e perspectivas mais favoráveis para inflação, apesar da perda de tração da atividade doméstica.

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