Começamos a semana após uma sexta-feira de grande estresse, com o dólar atingindo R$ 5,86, o segundo maior valor nominal da história, atrás apenas dos R$ 5,90 de maio de 2020, durante a pandemia. No dia, a moeda brasileira se desvalorizou 1,53%, e na semana acumulou uma queda de 2,88%. Importante destacar que não foi só o real que sofreu; todas as moedas de mercados emergentes foram impactadas na sexta-feira. O peso mexicano também se desvalorizou mais de 1%, assim como o peso argentino e a lira turca. O rendimento do título de 10 anos nos EUA subiu para 4,30%, refletindo um estresse semelhante ao observado durante a vitória de Trump em 2016, que chamamos de “Trump Trade”. Todos os ativos no Brasil sofreram: a taxa de juros de longo prazo subiu para 13% nominal e o juro real argentino atingiu 7%. A Bovespa teve uma queda de 1%. Portanto, foi um dia de forte correção nos ativos de mercados emergentes, com destaque para o Brasil. Além da expectativa em relação à eleição americana, os temores fiscais continuam pressionando. No domingo, o ministro Haddad cancelou uma viagem para a Europa e deve anunciar alguma medida nos próximos dias, aumentando a preocupação fiscal e influenciando os preços dos ativos financeiros. Hoje pela manhã, há notícias de que Kamala Harris avançou em algumas pesquisas no estado de Iowa. Com isso, o mercado começou a reagir, e o “Trump Trade” está se revertendo para um “Kamala Trade”. O real deve ter uma leve apreciação, com o dólar recuando 0,6%. O rendimento dos títulos de 10 anos nos EUA também voltou a ficar abaixo de 4,30%, mostrando que os mercados estão desmontando parcialmente as posições agressivas de sexta-feira. No entanto, ainda é incerto quem vencerá a eleição, e o mercado segue oscilando conforme as notícias. A semana é crucial. Amanhã, dia das eleições americanas, teremos mais clareza sobre o impacto nos mercados e no dólar. Além disso, a reunião do Federal Reserve (Fed) foi adiada para quinta-feira, quando se espera um corte de 0,25%. Na última sexta-feira, o payroll foi muito fraco, com quase zero vagas criadas, refletindo efeitos de greves (Boeing, portos) e furacões, mas os sinais apontam para um mercado de trabalho em enfraquecimento. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) enfrentará uma situação desafiadora. A última edição do boletim Focus projeta inflação acima do teto da meta, com 4,6% para 2024 e uma tendência de se consolidar acima de 4% para 2025. Com o câmbio em R$ 5,86, é difícil prever uma convergência inflacionária no curto prazo. A expectativa para o IPCA de novembro é de uma queda entre 0,2% e 0,3%, e de 0,5% em dezembro. O acumulado do IPCA no ano dificilmente ficará abaixo de 4,5%, para uma meta de 3%. Para 2025, a projeção de inflação de 4% começa a se consolidar. O mercado espera que o Copom aumente a Selic em 0,5% na quarta-feira. Segundo o Focus, a previsão é de mais um aumento de 0,5% na última reunião do ano, em dezembro, levando a Selic para 11,75%. O mercado também projeta novas altas para 2025 e 2026. Portanto, esta é uma semana chave, com as eleições nos EUA, a decisão do Fed e do BC, além da divulgação do IPCA de outubro na sexta-feira e de diversos indicadores de PMI ao redor do mundo. Esses indicadores ajudarão a entender melhor a fase do ciclo econômico e como os bancos centrais devem reagir em relação à inflação. Amanhã, com o resultado das eleições americanas, teremos mais clareza sobre o comportamento do dólar. Em seguida, virão as decisões do Copom e do Fed na quinta-feira.



