BC e FED decidem juros hoje

Chegamos à “Super Quarta” com as decisões do Banco Central Brasileiro e do Banco Central Americano. Ontem, observamos uma ligeira melhora na inflação brasileira, que atingiu 0,28% no IPCA, abaixo das expectativas de 0,29%. No acumulado do ano, registrou 4,04%. Nos Estados Unidos, o CPI ficou ligeiramente acima do esperado, atingindo 0,1% em novembro, enquanto a expectativa era zero. No acumulado em doze meses, foi de 3,1%. As bolsas americanas estão próximas das máximas, mas não houve mudança significativa nas projeções devido aos dados de inflação de ontem. A taxa de dez anos está em torno de 4,20%, e o mercado aguarda a decisão do FOMC (Comitê de Política Monetária do FED) e a entrevista do Chairman Jerome Powell. É provável que a taxa de juros seja mantida em 5,5% ao ano, mas a incerteza reside no comunicado. Não se espera uma mudança radical no discurso, pois a inflação ainda está acima da meta nos Estados Unidos, enquanto a meta é de 2%, e a inflação está em 3,1%. Antecipa-se que o FED permaneça com um tom relativamente rígido, e o mercado aposta mais na desaceleração da atividade e na convergência da inflação do que em mudanças significativas no discurso. No Brasil, espera-se um corte na taxa Selic, levando-a para 11,75%. A atenção está voltada para o comunicado, especialmente se a indicação de cortes nas próximas reuniões permanecerá no plural. O mercado está dividido sobre se o Banco Central manterá esse viés nas próximas reuniões. A discussão sobre a taxa terminal da Selic tem sido intensa, a expectativa é que o ritmo de corte seja mantido, visando atingir níveis mais baixos se a inflação permitir.

Os dados de produção industrial na Europa foram decepcionantes, com uma queda significativa de 0,7% em outubro, refletindo uma forte contração de 6,6% no ano. As expectativas para a decisão do Banco Central Europeu de amanhã não incluem cortes, mas reconhecimento da desaceleração na zona do euro. É notável como a economia americana se recuperou e continua crescendo, enquanto a Europa está estagnada e contraindo. O petróleo abaixo de 70 dólares por barril indica um cenário de desaceleração global. 2024 pode se tornar o ano de cortes de juros, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Destaca-se também o aumento das exportações de petróleo russo, contribuindo para a queda nos preços, o que é positivo para a inflação. No Brasil, os dados da Pesquisa Mensal de Serviços mostram uma contração significativa de 0,6% em outubro, aumentando as chances de uma contração do PIB no quarto trimestre. O setor de serviços representa cerca de 70% da economia brasileira. Observamos uma desaceleração da atividade econômica, com o PIB brasileiro estagnado no terceiro trimestre e a possibilidade de contração no quarto trimestre. A decisão dos bancos centrais hoje será crucial, com o FED à tarde e o Banco Central Brasileiro à noite, após as 18h.

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