Hoje foi divulgado o novo Relatório de Política Monetária do Banco Central. O nome do documento mudou novamente — já foi chamado de “Relatório Trimestral de Inflação”, depois “Relatório de Inflação” e agora adota um título mais condizente com seu conteúdo, que trata da política monetária como um todo, e não apenas da inflação.
Inflação
O principal destaque do relatório são as projeções de inflação:
• 5,6% no 3º trimestre de 2025 (em 12 meses);
• 3,9% no 3º trimestre de 2026 — horizonte relevante para a política monetária;
• 3,7% no 4º trimestre de 2026;
• 3,4% no 1º trimestre de 2027;
• A convergência para a meta de 3% só ocorre no 3º trimestre de 2027.
Ou seja, há queda gradual da inflação, mas ainda sem atingir o centro da meta no curto prazo.
Atividade Econômica
O Banco Central atualizou suas projeções para o crescimento da economia:
• Agropecuária: alta de 6,5% em 2024;
• Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos): revisão de 2,9% para 2,0%;
• PIB: estimativa de crescimento caiu de 2,0% para 1,9%;
• Crédito total: expansão prevista passou de 9,6% para 7,7%.
O hiato do produto segue pressionado, indicando uma economia operando acima de seu potencial — sinal clássico de aquecimento.
IPCA-15
O IPCA-15, referente ao período entre 15 de fevereiro e 15 de março, foi de 0,64%, levemente abaixo das projeções do mercado (entre 0,68% e 0,69%). Em fevereiro, havia sido 1,23%.
Em 12 meses, a inflação segue elevada. Todos os nove grupos pesquisados registraram alta. Destaques:
• Passagens aéreas: +7,0%;
• Alimentação fora de casa: +0,66%;
• Ovos: +19,4%;
• Tomate: +12,6%;
• Café moído: +8,5%.
A média dos núcleos de inflação — que excluem itens mais voláteis como alimentos e energia — subiu de 4,47% para 4,72%, bem acima da meta.
Setor Externo
O déficit em conta corrente voltou a crescer e já se aproxima do volume de investimento direto no país (IDP). Ou seja, o que entra de capital estrangeiro para investimentos produtivos está praticamente sendo compensado pela saída via transações correntes. Isso reforça a leitura de uma economia aquecida, com alta demanda por bens e serviços do exterior.
Conclusão
A economia brasileira segue crescendo, mesmo com desaceleração. A inflação deve cair, mas em ritmo lento, com convergência à meta apenas em 2027. A combinação de inflação persistente, déficit externo e PIB em alta indica um cenário de aquecimento que exigirá atenção da política monetária.
Nota internacional
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 25% sobre carros importados do Canadá, México, Europa e Ásia. A medida ainda não foi oficializada, mas representa uma forte sinalização protecionista. O mercado reagiu negativamente ontem e aguarda os desdobramentos.


