BC sinaliza SELIC a 10,5% por período prolongado

O grande destaque do dia é a decisão do COPOM brasileiro que manteve a SELIC em 10,5% de forma unânime, em linha com a expectativa da maioria do mercado. Isso deve trazer uma certa calmaria. Atualmente, temos duas grandes incertezas: como será o novo Banco Central e como o arcabouço fiscal se sustentará nos próximos anos. A decisão do Banco Central brasileiro ontem sinaliza claramente a preocupação com a inflação, com o voto técnico de todos os diretores. Eles indicaram que, mantendo a SELIC em 10,5% até o final do próximo ano, a inflação deverá cair para 3,1%. Não há um compromisso firme com a manutenção desse nível, mas é uma indicação forte de que, com a SELIC em 10,5%, a inflação ficará próxima da meta. Isso sugere que não haverá cortes de juros este ano, e a SELIC deve permanecer em 10,5% até o final deste ano, possivelmente até o próximo. É o cenário de “juros mais altos por mais tempo (HIGHER FOR LONGER)”. Por outro lado, descartam aumentos de juros, embora a curva de juros indicasse essa possibilidade. O Banco Central sinalizou que permanecerá vigilante, podendo eventualmente aumentar os juros se necessário, demonstrando uma postura firme contra a inflação. Este comunicado é bem diferente do último, que foi marcado por uma divergência, com quatro diretores votando por um corte de 0,50% e cinco votando por manter a taxa. Agora, a nova diretoria parece estar mais alinhada. Além disso, tivemos a decisão do Banco Central suíço de cortar juros, o que foi uma surpresa. O Banco Central Chinês manteve a taxa de juros em 3,45%, e o Banco da Inglaterra manteve os juros com uma votação dividida, com alguns diretores querendo cortar. No segundo semestre, devemos ver mais cortes de juros por parte de bancos centrais de países desenvolvidos, como o BCE, o Banco da Suíça, o Canadá, e possivelmente o Banco da Inglaterra, melhorando as condições monetárias nesses países. Esses cortes de juros nos países desenvolvidos são positivos para o Brasil, pois aumentam o diferencial de juros a favor do Brasil, especialmente se o Fed começar a cortar taxas. Isso cria um cenário onde a SELIC deve permanecer em 10,5% até o final do ano, com decisão unânime, e o novo presidente do Banco Central provavelmente seguirá esse padrão. Gabriel Galípolo continua sendo o favorito para assumir a presidência. O horizonte de política monetária no Brasil parece ser de uma SELIC a 10,5% por um bom tempo.

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