O parque Beto Carrero World tem uma história fascinante, marcada pelo sonho ambicioso de um homem só — João Batista Sérgio Murad, mais conhecido como Beto Carrero, que foi empresário, artista circense, cantor sertanejo e publicitário.
Como começou
Beto Carrero fundou o parque em 28 de dezembro de 1991, no município de Penha, em Santa Catarina, depois de anos amadurecendo a ideia de criar um grande parque temático no Brasil, inspirado nos moldes da Disney. Ele investiu recursos próprios e buscou parceiros para viabilizar o projeto. Na época, a proposta parecia ousada: um parque de diversões de grande porte no litoral catarinense, longe dos grandes centros urbanos.
O nome e a imagem do parque vinham diretamente de seu alter ego — o vaqueiro mascarado Beto Carrero, um personagem de faroeste que ele mesmo interpretava e que se tornou símbolo do parque, reunindo a fantasia do velho oeste com atrações típicas do Brasil.
Desenvolvimento e expansão
Ao longo dos anos, o Beto Carrero World cresceu, incorporando brinquedos modernos, zoológico, shows ao vivo, parcerias com marcas internacionais como a DreamWorks (criadora de personagens como Shrek e Madagascar), e passou a atrair visitantes de todo o Brasil e da América do Sul. Hoje, é o maior parque temático da América Latina em extensão e número de atrações.
Importância para a região
O parque é hoje um motor fundamental da economia do litoral norte catarinense:
Emprego e renda: Gera milhares de empregos diretos e indiretos na cidade de Penha e arredores, tanto no parque quanto em hotéis, restaurantes, comércio e transporte. Turismo regional: Colocou Penha no mapa turístico nacional, impulsionando o setor hoteleiro e de serviços. Atrai mais de 2 milhões de visitantes por ano, muitos dos quais estendem sua visita para outras atrações do litoral catarinense. Identidade cultural: Tornou-se um símbolo cultural da região, misturando elementos do folclore brasileiro com entretenimento internacional.
Mesmo após a morte de Beto Carrero em 2008, seu legado permanece vivo. O parque continua a crescer, sob administração profissional, e mantém sua importância como um dos principais polos de lazer e turismo do Brasil.
Beto Carrero escolheu o balneário de Penha, em Santa Catarina, como sede do parque por uma combinação estratégica de fatores geográficos, econômicos e afetivos:
1. Localização estratégica no Sul do Brasil
Penha está próxima a grandes centros populacionais da Região Sul, como Joinville, Blumenau, Itajaí, Florianópolis e Curitiba, além de estar em uma área com acesso rodoviário facilitado pela BR-101. Isso permite atrair turistas tanto do interior catarinense quanto do Paraná e Rio Grande do Sul.
2. Turismo já existente no litoral catarinense
O litoral norte de Santa Catarina já era uma região turística consolidada, com praias conhecidas e boa infraestrutura hoteleira. Beto Carrero aproveitou esse fluxo existente de turistas para atrair visitantes ao parque, criando uma sinergia entre turismo de praia e turismo de entretenimento.
3. Terrenos baratos e espaço disponível
Na época da fundação, Penha era uma cidade pequena e pouco desenvolvida. O custo dos terrenos era muito mais baixo do que em cidades maiores, o que facilitou a compra de uma grande área para a construção do parque (mais de 10 milhões de m²). Isso permitiu projetar uma estrutura ambiciosa, com espaço para crescer.
4. Vontade de desenvolver a região
Beto Carrero queria deixar um legado e transformar uma região pouco desenvolvida num polo de turismo e desenvolvimento econômico. A escolha de Penha permitiu gerar impacto direto no território, o que se confirmou nas décadas seguintes.
5. Proximidade com o aeroporto de Navegantes
O Aeroporto de Navegantes fica a apenas 10 minutos de carro do parque, facilitando o acesso de turistas de outros estados por via aérea, especialmente de São Paulo.
Em resumo, Penha foi escolhida por ser um ponto viável logisticamente, acessível e com grande potencial de valorização, o que Beto Carrero enxergou com visão de longo prazo. A aposta deu certo: hoje a cidade é amplamente conhecida por causa do parque.
Antes de fundar o parque, Beto Carrero, nascido João Batista Sérgio Murad (1937–2008), teve uma trajetória multifacetada e marcada por empreendedorismo, criatividade e carisma. Ele passou por várias áreas antes de se tornar o criador do maior parque temático da América Latina.
1. Infância humilde e paixão por cavalos
Criado no interior de São Paulo e depois em Minas Gerais, Beto Carrero teve uma infância simples e trabalhou desde cedo. Sempre teve fascínio por cavalos e por personagens do faroeste, o que mais tarde influenciaria fortemente sua identidade artística.
2. Radialista e publicitário
Na juventude, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como locutor de rádio, demonstrando talento com a voz e comunicação. Depois, se destacou como publicitário, criando jingles e campanhas para o comércio popular. Fundou uma agência própria, especializada em propagandas de varejo — com foco em criatividade e impacto.
3. Cantor sertanejo e artista
Chegou a gravar discos sertanejos e fazer apresentações como cantor, mas não teve grande sucesso nessa área. Ainda assim, sua veia artística continuava forte. Começou a desenvolver o personagem “Beto Carrero”, um cavaleiro mascarado do estilo Zorro e Lone Ranger, que ele mesmo interpretava em eventos, rodeios e programas de TV.
4. Empreendedor e showman
Nos anos 1980, passou a organizar rodeios e apresentações itinerantes com o personagem Beto Carrero, misturando circo, teatro e música. Ele percebia o poder do espetáculo popular e começou a alimentar a ideia de construir um grande parque temático no Brasil, inspirado no modelo da Disney, mas com identidade nacional.
5. Criação do personagem Beto Carrero
O personagem que ele criou não era só um vaqueiro ou cowboy — era uma figura heroica, patriótica e familiar ao público brasileiro. Com chapéu, cavalo branco e máscara, Beto Carrero virou sua marca pessoal e se tornou o centro do futuro parque.
Essa trajetória mostra como Beto Carrero era um autodidata, com faro de negócios, visão artística e capacidade de se comunicar com o público. O parque que ele criou foi a culminação de uma vida de experiências criativas e empreendedoras — unindo publicidade, espetáculo, cultura popular e turismo.
O parque foi fundado e pertenceu originalmente a Beto Carrero, que investiu recursos próprios e foi a alma do projeto desde o início, em 1991. Ele era o único proprietário e idealizador do empreendimento, e exercia controle direto sobre as operações e a expansão do parque. Além disso, personificava o personagem “Beto Carrero” em apresentações diárias e promovia pessoalmente o parque pelo Brasil.
Depois da morte de Beto Carrero (2008)
Com a morte de Beto Carrero em 1º de fevereiro de 2008, aos 70 anos, o controle do parque passou à família Murad, especialmente ao seu filho, Alexandre Murad, que assumiu a presidência do parque e liderou uma nova fase de modernização e profissionalização da gestão.
Durante os anos seguintes, o parque se reposicionou como empreendimento empresarial, mantendo a imagem de Beto Carrero como ícone, mas ampliando parcerias com marcas internacionais (como DreamWorks e Hot Wheels) e investindo em novas atrações.
Atualmente
Hoje o parque continua sendo de capital familiar, pertencente à família Murad, mas com uma gestão corporativa profissionalizada. A presidência foi assumida em 2022 por Jean Pierre Freitas, um executivo com experiência em grandes empresas, enquanto Alexandre Murad segue como membro do conselho, com papel mais estratégico.
Ou seja:
Propriedade: ainda é da família de Beto Carrero. Gestão atual: está nas mãos de um time executivo profissional, com foco em expansão, inovação e alianças internacionais.
Essa transição ajudou o parque a se manter competitivo e moderno, mesmo após a morte do fundador.
Beto Carrero se inspirou diretamente no personagem Zorro para criar sua própria figura heroica — o cavaleiro mascarado “Beto Carrero”. A influência é clara em vários elementos:
1. Máscara preta e identidade heroica
Assim como o Zorro, Beto Carrero usava uma máscara preta cobrindo os olhos, criando um ar de mistério e heroísmo. Ambos são personagens que representam a justiça, coragem e defesa dos mais fracos, em um estilo romântico e popular.
2. Cavalo como símbolo de liberdade
O Zorro cavalgava o seu famoso cavalo negro, Tornado, enquanto Beto Carrero tinha seu inseparável cavalo branco Faísca. Nos dois casos, o cavalo era parte essencial do personagem — símbolo de movimento, nobreza e ação.
3. Ambientação de faroeste com sotaque latino
Zorro foi um herói californiano com origem hispânica, operando num cenário de dominação espanhola, o que o tornava familiar ao público latino. Beto Carrero abrasileirou esse modelo, criando um personagem de faroeste com roupa de cowboy e sotaque nacional, acessível ao público popular brasileiro.
4. Dupla identidade artística e empresarial
Zorro era a identidade secreta de Don Diego de la Vega. Beto Carrero também encarnava o personagem publicamente, mas fora da fantasia era João Murad, empresário e criador do parque. Essa duplicidade reforçava o mito e dava carisma ao projeto.
5. Uso do personagem como marca
Assim como o Zorro virou símbolo de livros, filmes e brinquedos, Beto Carrero usou sua figura mascarada como marca registrada do parque. Ele atuava pessoalmente nos shows e era o “rosto” da empresa — algo incomum no setor de entretenimento.
6. Influência da cultura pop
Na infância e juventude de Murad (anos 1940–1950), os filmes e seriados do Zorro eram extremamente populares no Brasil. Ele absorveu essa influência e reinterpretou o herói latino para o imaginário brasileiro, somando elementos de rodeio, circo e vaquejada.
Em resumo: Beto Carrero foi uma versão brasileira e empreendedora do Zorro — inspirada nos mesmos arquétipos, mas adaptada ao contexto nacional. Ele soube transformar essa imagem em uma identidade forte, midiática e duradoura.

