Biden tenta recolocar as empresas americanas no jogo pesado das TELECOM com Open RAN

Open RAN, que significa “Rede de Acesso de Rádio Aberta” (Open Radio Access Networks) é uma arquitetura de rede que desagrega os componentes tradicionalmente integrados em uma estação base de celular. Em uma infraestrutura de rede tradicional, os elementos de hardware e software são fornecidos por um único fornecedor, tornando as redes caras de implantar, atualizar e manter. Com o Open RAN, esses componentes são desagregados e podem ser fornecidos por diferentes empresas. Isso permite uma abordagem mais flexível e eficiente para a construção e operação de redes de telecomunicações.  A administração Biden comprometeu mais de US$ 1,5 bilhão para tentar persuadir o mundo a usar uma tecnologia que pode permitir que empresas americanas voltem à corrida de equipamentos de telecomunicações. Enquanto o Presidente Biden se encontrava com chefes de Estado ao redor do mundo nos últimos anos, ele vem repetindo uma frase curiosa: “Open RAN”. Essa tecnologia obscura para torres celulares, que a Brookings Institution já chamou de “matadora da Huawei”, é a campeã designada por Washington para tentar derrubar a gigante chinesa Huawei Technologies do posto de maior fornecedora da infraestrutura que transporta os dados e chamadas telefônicas do mundo. Redes de acesso por rádio abertas, ou Open RAN, é uma tecnologia emergente para torres celulares que permite o uso de peças de fornecedores diferentes – algo semelhante ao ecossistema Android do Google. Isso difere dos sistemas proprietários “tudo-em-um” da Huawei, Ericsson e Nokia, que dominam o mercado. Autoridades americanas esperam que essa nova iniciativa ajude os fornecedores dos EUA a voltarem a um jogo do qual foram em grande parte excluídos durante duas décadas de globalização. Os apelos pessoais de Biden aos líderes da Índia, Filipinas, Arábia Saudita e outros países refletem a importância do assunto em Washington. Uma ampla iniciativa está em curso para persuadir países ao redor do mundo a dizerem sim ao Open RAN e não à Huawei. Os departamentos e agências federais envolvidos abrangem uma variedade notável de entidades governamentais: os departamentos de Estado, Comércio e Defesa; a Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA (USTDA); a Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAID); a Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos e o Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos.

O Congresso alocou meio bilhão de dólares ao Departamento de Estado para avançar no desenvolvimento e adoção do Open RAN e em tecnologias de semicondutores seguros ao longo de cinco anos, enquanto a NTIA possui um fundo de US$ 1,5 bilhão para investir em pesquisa, testes e promoção de tecnologias Open RAN ao longo de uma década. Outras agências, como a USTDA, também reservaram partes de seus orçamentos para defender a tecnologia. A tecnologia Open RAN surgiu como um conceito internacionalizado sem laços especiais com os EUA no final da década de 2010, com empresas como AT&T e China Mobile colaborando nela. Então, a administração Trump começou a promover a tecnologia nascente, considerando-a vantajosa para empresas menores dos EUA, em que alguns estudiosos descreveram como um “sequestro geopolítico”. A administração Biden intensificou o impulso ao Open RAN à medida que a tecnologia se tornou mais pronta para o mercado. A iniciativa Open RAN tem seus céticos, considerando-a uma tecnologia  sendo imposta para ganho dos EUA. Houve uma recepção mista na Europa, onde as empresas Ericsson, da Suécia, e Nokia, da Finlândia, podem perder negócios para iniciantes dos EUA. Essa batalha pelo Open RAN é emblemática da corrida tecnológica entre os Estados Unidos e a China, que se espalhou para outras tecnologias estratégicas como semicondutores e inteligência artificial, essenciais tanto para a economia civil quanto para o setor militar.

https://openranbrasil.org.br/2023/11/06/entenda-o-que-e-open-ran/

https://www.viavisolutions.com/pt-br/solucoes/ran-aberta

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