O documento “Impactos econômicos de investimentos em bioeconomia no Pará” (WRI Brasil, março de 2025) analisa o potencial da bioeconomia baseada na sociobiodiversidade e na floresta em pé no estado do Pará. Aqui está um resumo das principais ideias:
1. A bioeconomia como oportunidade estratégica para o Pará
• A vocação da Amazônia é desenvolver uma bioeconomia baseada na floresta viva, combinando saberes locais, restauração de ecossistemas, inclusão social e inovação tecnológica.
• Essa economia é diversificada, descentralizada e de baixo impacto ambiental, e contribui para segurança alimentar, geração de renda e resiliência climática.
2. Potencial econômico e social
• A bioeconomia no Pará já movimenta valores comparáveis à pecuária, com destaque para produtos como açaí, castanha, óleos e fibras nativas.
• É uma economia dominada por pequenos produtores, extrativistas e comunidades tradicionais, inclusive quilombolas e indígenas.
3. Recursos disponíveis
• Foram identificados entre R$ 1,7 e R$ 1,8 bilhão em recursos captados, em negociação ou com potencial de captação para ações climáticas no Pará, dos quais cerca de R$ 400 milhões podem ser destinados à bioeconomia.
• As fontes incluem: operações de crédito, cooperação internacional, Fundo da Amazônia Oriental (FAO) e projetos privados alinhados às estratégias estaduais.
4. Impacto estimado dos investimentos
• Simulações indicam que R$ 400 milhões em investimentos diretos e R$ 320 milhões via Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) podem gerar:
• R$ 816 milhões em PIB
• R$ 1,85 bilhão em valor bruto da produção
• R$ 135 milhões em massa salarial
• 6.514 empregos
• Efeitos multiplicadores por real investido: R$ 1,13 de PIB, R$ 0,19 em salários e R$ 0,06 em impostos indiretos.
5. Desafios institucionais
• A bioeconomia enfrenta entraves por falta de reconhecimento formal (informalidade, ausência em classificações oficiais), dificuldades de rastreabilidade e de acesso a crédito.
• Políticas públicas ainda carecem de maior articulação e convergência.
6. Políticas públicas e recomendações
• O estudo destaca sinergia entre o Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio-PA), o Programa Territórios Sustentáveis (PTS) e o Plano de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN-PA).
• Aponta seis políticas com alto potencial de apoio à bioeconomia, incluindo o PNAE, o Regulariza Pará e o PUCM.
• Recomenda o fortalecimento institucional, integração de políticas e investimentos em capacitação, inovação, agregação de valor e infraestrutura.

