Bolsa americana volta as máximas

Nos Estados Unidos, o dado mais aguardado da semana foi o Payroll, que surpreendeu positivamente: foram criadas 139 mil vagas de trabalho em maio, acima da expectativa de 125 mil. A taxa de desemprego manteve-se em 4,2%, o que trouxe alívio ao mercado, especialmente após a decepção com o relatório ADP divulgado anteriormente. O mercado temia um novo dado fraco, o que não se confirmou.

Além disso, os salários apresentaram aceleração. O crescimento mensal foi de 0,4%, acima da expectativa de 0,3%. Em termos anuais, os salários avançam 3,9%, o que, diante de uma inflação de 2,5%, representa um ganho real relevante para os trabalhadores — sinal de um mercado de trabalho ainda resiliente. Diante desse cenário, a expectativa de corte de juros pelo Fed tende a ser adiada para o segundo semestre. As projeções de PIB para o segundo trimestre estão rodando acima de 3%, e a bolsa americana voltou a subir, com o S&P 500 acumulando mais de 20% de alta desde o “Liberation Day”, configurando uma tendência de bull market.

No Brasil, o destaque foi o IGP-DI de maio, que registrou deflação de 0,85%, revertendo a alta de 0,30% observada em abril. Foi uma deflação significativa, com destaque para o recuo de 3,13% no índice do setor agropecuário, puxado especialmente pela queda nos preços dos alimentos. O câmbio mais comportado, na casa dos R$ 5,60, também contribuiu. No âmbito industrial, o IPA teve queda de 0,70%, refletindo o recuo das commodities, como o petróleo, que voltou à faixa de US$ 60 por barril. De modo geral, os preços ao produtor cederam, o que é uma boa notícia para a inflação brasileira.

No IPCA-15 anterior já havíamos observado uma leitura positiva, com alta de apenas 0,35%. Nos próximos dias, será divulgado o IPCA fechado de maio. Diante desse contexto, aumentou a aposta de parte do mercado em uma última alta da Selic de 0,25 ponto percentual, levando a taxa a 15%. Eu, pessoalmente, ainda acredito que o ciclo se encerra nos atuais 14,75%. De qualquer forma, trata-se de uma diferença marginal em relação ao custo do crédito, que já está em patamar bastante elevado.

Vale lembrar que a Selic atual está mais do que o dobro do juro real neutro estimado pelo próprio Banco Central, que gira em torno de 5% ao ano. Em termos nominais, esse juro neutro equivaleria a uma Selic de 9% a 10%.

Encerrando a semana, tivemos um conjunto de dados mistos sobre o mercado de trabalho americano: o ADP veio fraco, assim como os initial claims, mas o relatório JOLTS e o Payroll mostraram números mais fortes, com maior geração de vagas. Esses últimos têm mais peso para o mercado.

Por fim, vale destacar o desempenho da bolsa americana, impulsionada pelo setor de tecnologia. A Nvidia atingiu valor de mercado superior a US$ 3 trilhões, tornando-se a empresa mais valiosa do mundo — à frente de Apple e Microsoft. Ao todo, os EUA concentram sete empresas que, juntas, somam valor de mercado de US$ 15 trilhões. Um feito extraordinário, reflexo da liderança tecnológica americana na era da inteligência artificial.

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