Fechando o mês, o Boletim Focus trouxe mais uma boa notícia: nova melhora nas projeções de inflação. A expectativa para o IPCA de 2024 caiu para 4,56%, bem abaixo dos 5,70% previstos no início do ano.
Essa queda nas expectativas reflete fatores recentes, como a redução do preço da gasolina, que ajudou na valorização do real, e a queda dos preços de alimentos, reforçando o alívio inflacionário. O cenário para os próximos anos também é mais otimista: 4,20% em 2026 e 3,82% em 2027.
O ambiente político e internacional contribui para esse humor positivo. As conversas entre Lula e Trump no fim de semana, bem como o diálogo entre Trump e a China, ajudaram a acalmar o mercado global. O dólar opera na casa dos R$5,30, e a Bolsa se aproxima dos 150 mil pontos, embalando o chamado rally de fim de ano. Os juros longos também mostram alívio, com as taxas voltando a testar 13,5%.
Lá fora, a atenção se volta à reunião do Federal Reserve, na quarta-feira. O mercado espera mais um corte de juros, levando a taxa americana para 4%, o que reforça o diferencial favorável ao Brasil. O shutdown nos EUA segue em curso e mantém o país em “voo cego”, com atraso na divulgação dos dados de PIB e inflação.
No Brasil, a FGV registrou leve melhora dos índices de confiança, após meses de queda, indicando recuperação gradual da atividade. Ainda assim, a conta corrente segue deficitária, próxima de 3,6% do PIB, embora o investimento direto estrangeiro tenha compensado parte desse desequilíbrio.
Por ora, o quadro é de força do “kit Brasil”: inflação em queda, câmbio controlado e juros reais ainda elevados. O cenário externo ajuda e, se mantida a estabilidade política e fiscal, o país pode sustentar um bom rally até o fim do ano.


