As três principais bolsas dos Estados Unidos — S&P 500, Dow Jones e Nasdaq — atingiram novas máximas, refletindo o forte rali de ações ao redor do mundo. O movimento é impulsionado, sobretudo, pela perspectiva de cortes de juros, que já começaram em algumas economias e devem se intensificar, especialmente nos Estados Unidos.
No acumulado do ano, o Nasdaq sobe 16,3%, figurando entre os dez maiores avanços do ranking global. O S&P 500 registra alta de 12,7%, ocupando a terceira posição, e o Dow Jones acumula valorização de 8,4% em dólares. Não são apenas os mercados desenvolvidos que se beneficiam: entre as bolsas emergentes, o desempenho também é notável. A B3, no Brasil, sobe quase 21% no ano, ocupando a sétima colocação entre as bolsas de melhor performance. Coreia do Sul (+44,2%), Chile (+34%) e Hong Kong (+32%) são destaques ainda mais expressivos, assim como a Espanha, que acumula ganhos de mais de 30%.
Por outro lado, o grande ponto fora da curva é a Argentina, com queda de 33% no ano. Depois de uma disparada superior a 70% no ano passado, o mercado argentino agora sofre com a iminência de uma crise, incertezas eleitorais e a pressão sobre o câmbio. O Banco Central argentino já teria vendido cerca de US$ 400 milhões para tentar segurar o dólar, que se encontra no teto da banda, em torno de 1.500 pesos por dólar. Não à toa, várias casas de análise retiraram recentemente suas recomendações de compra para ativos argentinos.
No Brasil, o bom desempenho da bolsa impressiona, especialmente considerando a Selic ainda em 15% ao ano. É possível imaginar o potencial de valorização caso os juros caiam para patamares de 10% ou menos. O movimento atual é parte de um rali global, impulsionado por políticas monetárias mais acomodatícias e pela expectativa de continuidade dos cortes de juros nas principais economias.
Outro ponto relevante é o balanço dos bancos centrais, em especial o do Federal Reserve. Desde a crise de 2008, a base monetária americana saltou de cerca de US$ 1 trilhão para US$ 9 trilhões — uma multiplicação por nove. Mesmo assim, a inflação nos EUA permanece controlada, ao redor de 2,5% ao ano, o que mostra que expansão monetária, por si só, não gera inflação automaticamente.
Essa combinação de liquidez abundante, queda de juros e inflação moderada cria um ambiente extremamente favorável para ativos de risco. É um momento de “luxo” para os mercados, em que as bolsas se beneficiam de um cenário macroeconômico benigno e de amplo apetite por risco por parte dos investidores globais.





