Brasil bombou em janeiro!

CAGED dobro do esperado, 180 mil vagas criadas em janeiro. Comércio cresceu 2,5% em relação a dezembro (PMC-IBGE) e serviços subiram 0,7% em relação a dezembro (PMS-IBGE). ou seja, o Brasil bombou em janeiro! Na esteira dos indicadores de inflação mais fortes nos Estados Unidos, o PPI (Índice de Preços ao Produtor) registrou 0,6%, o dobro do esperado, que era de 0,3%. Embora seja um índice importante, é considerado secundário, ficando abaixo do CPI (Índice de Preços ao Consumidor), que por sua vez é menos relevante que o PCE (Despesa Pessoal de Consumo), na hierarquia dos indicadores econômicos. Contudo, o mercado está sensível e qualquer desvio desses números pode causar impactos significativos, especialmente considerando o tema do corte de juros, que está movimentando o mercado atualmente. Assim, ontém foi um dia difícil para as bolsas americanas, que registraram queda, com a treasury de 10 anos subindo a cerca de 4,30%, apesar do varejo mais fraco nos Estados Unidos. O dado de inflação acabou exercendo pressão, diminuindo um pouco a probabilidade de corte de juros em junho, o que levou as bolsas a reagirem em queda e os juros a reagirem em alta, afetando os mercados emergentes, incluindo o Brasil. Na Bovespa, o índice caiu cerca de 0,25%, para 127.600 pontos. Além disso, houve uma forte alta dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) dos juros futuros no Brasil. Vale destacar o desempenho impressionante do varejo brasileiro, que apresentou uma alta de 2,5% na comparação mensal, algo que não acontecia há mais de dois anos. Esse crescimento pode ser atribuído, em parte, ao pagamento dos precatórios, além de um mercado de trabalho mais aquecido e uma massa salarial mais robusta. Isso gerou preocupações sobre a trajetória dos juros no Brasil, com uma economia mais aquecida. O dólar se fortaleceu em relação ao real, resultando em um dia de queda para o kit Brasil, com a bolsa caindo e o dólar se valorizando. Além disso, o minério de ferro próximo dos 100 dólares afeta nosso complexo de metals e mining; a China manteve suas taxas de juros, o que foi uma certa decepção para quem esperava estímulos adicionais. O preço do petróleo também está pressionando a inflação nos Estados Unidos, com o preço da gasolina em alta. No Brasil, isso levanta discussões sobre um possível aumento dos combustíveis, já que os preços do petróleo estão no nível máximo do ano. Hoje, tivemos a divulgação da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), com um dado muito forte para janeiro, indicando um aumento de 0,7% em relação a dezembro, o que resulta em um aumento de 4,5% no ano contra ano no setor de serviços. Isso confirma a tendência observada no varejo e mostra uma economia brasileira bastante aquecida no início de 2024, aumentando consideravelmente as chances de crescimento de 2% este ano. Este é o terceiro aumento consecutivo da PMS, com altas em novembro, dezembro e janeiro, demonstrando uma recuperação consistente no setor de serviços, que representa cerca de 70% da economia brasileira. Ainda hoje, aguardamos a divulgação da confiança do consumidor de Michigan. Estes são os dados que faltam nesta semana, mas a síntese é que a inflação nos Estados Unidos está um pouco pior do que o esperado. Isso complica um pouco o cenário de corte de juros para maio, que agora parece descartado; se houver algum corte, provavelmente será em junho. No entanto, a notícia mais positiva foi a atividade econômica mais forte do que o esperado no Brasil, conforme indicado pelos dados robustos do varejo e da PMS. Isso pode impactar as decisões do Banco Central na próxima semana, quando ocorrerá a reunião do COPOM, que provavelmente resultará em um corte de 0,5% na SELIC. O mercado estará atento ao comunicado e aos próximos passos do Banco Central.

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