Os dados de valor adicionado agrícola por trabalhador (em dólares constantes de 2015) revelam uma das dimensões mais importantes da economia do desenvolvimento: a enorme diferença de produtividade entre países. Essa medida divide o valor gerado pela agricultura pelo número de trabalhadores no setor. Em outras palavras, mostra quanto cada trabalhador rural produz, em média, por ano. A comparação internacional é bastante reveladora porque captura o grau de mecanização, tecnologia, escala produtiva e intensidade de capital da agricultura de cada país.
No topo do ranking global aparece a Argentina, com cerca de US$ 174 mil por trabalhador. Esse valor extremamente elevado reflete uma agricultura altamente mecanizada e intensiva em capital. O país produz grandes volumes de soja, milho e outros grãos em extensas áreas mecanizadas, com relativamente poucos trabalhadores no campo. Máquinas modernas, tecnologia agrícola avançada e grandes propriedades permitem que cada trabalhador seja responsável por uma produção muito grande, elevando fortemente a produtividade média.
Os Estados Unidos também aparecem entre os países de maior produtividade agrícola, com cerca de US$ 85 mil por trabalhador, ocupando aproximadamente a 8ª posição mundial. A agricultura americana combina tecnologia de ponta, mecanização intensiva, biotecnologia, logística avançada e grande escala produtiva. Além disso, o setor emprega apenas uma pequena fração da força de trabalho total, o que eleva ainda mais o valor produzido por trabalhador.
O Brasil, por sua vez, aparece na 67ª posição, com cerca de US$ 12,8 mil por trabalhador. Embora o país seja uma potência agrícola global em termos de volume de produção e exportações, a produtividade média por trabalhador ainda é relativamente menor do que nos países líderes. Isso ocorre porque uma parcela significativa da mão de obra rural brasileira ainda está em atividades de menor escala ou menor intensidade tecnológica. Ainda assim, o Brasil já apresenta níveis de produtividade muito superiores aos de várias economias emergentes.
A China ocupa aproximadamente a 82ª posição, com cerca de US$ 7,7 mil por trabalhador. Apesar de ser um dos maiores produtores agrícolas do mundo, o país ainda possui um grande contingente de trabalhadores rurais. O resultado é que a produção total é dividida por um número muito grande de pessoas no campo, o que reduz o valor médio por trabalhador. Nos últimos anos, entretanto, a rápida urbanização e a modernização do campo vêm aumentando gradualmente essa produtividade.
A situação é ainda mais clara no caso da Índia, que aparece por volta da 150ª posição, com cerca de US$ 2 mil por trabalhador. A agricultura indiana emprega uma parcela muito grande da população, frequentemente em pequenas propriedades com baixa mecanização e tecnologia limitada. Como consequência, a produção por trabalhador permanece relativamente baixa, um padrão típico de economias que ainda estão em estágios iniciais de transformação estrutural.
Em conjunto, esses dados ilustram um fenômeno clássico da economia do desenvolvimento: à medida que os países se desenvolvem, menos trabalhadores permanecem na agricultura, mas cada trabalhador passa a produzir muito mais. A mecanização, o uso de tecnologia, o aumento da escala produtiva e a migração da mão de obra para a indústria e os serviços elevam rapidamente a produtividade agrícola. A comparação entre Argentina, Estados Unidos, Brasil, China e Índia mostra claramente os diferentes estágios desse processo de transformação econômica.
Ranking (1–100)
1. Argentina — 174,268
2. Israel — 142,672
3. Iceland — 138,138
4. Australia — 126,851
5. Canada — 112,353
6. New Caledonia — 92,780
7. Norway — 88,879
8. United States — 85,042
9. Netherlands — 80,400
10. French Polynesia — 66,852
11. Puerto Rico — 58,578
12. Sweden — 57,604
13. Germany — 56,953
14. Belgium — 56,790
15. United Kingdom — 56,123
16. New Zealand — 53,595
17. Saudi Arabia — 52,993
18. Finland — 51,741
19. Denmark — 48,856
20. Switzerland — 47,757
21. France — 47,433
22. Brunei — 45,321
23. Guyana — 45,259
24. United Arab Emirates — 43,980
25. Ireland — 42,942
26. Djibouti — 41,614
27. Spain — 38,827
28. Italy — 38,467
29. Luxembourg — 38,412
30. Singapore — 35,954
31. Slovakia — 35,523
32. Austria — 34,849
33. Lebanon — 30,511
34. Czechia — 29,149
35. Jordan — 27,702
36. Portugal — 27,652
37. Barbados — 26,864
38. Montenegro — 25,655
39. Croatia — 25,593
40. Uruguay — 25,114
41. Hungary — 23,277
42. Japan — 21,902
43. Hong Kong — 20,889
44. Algeria — 20,425
45. Lithuania — 19,360
46. Cyprus — 18,928
47. Slovenia — 18,689
48. Oman — 18,469
49. South Korea — 18,424
50. Estonia — 17,852
51. Chile — 17,611
52. Uzbekistan — 17,601
53. Suriname — 16,938
54. Mauritius — 16,591
55. Qatar — 16,369
56. Bahrain — 15,963
57. Russia — 15,299
58. Malaysia — 15,229
59. Palestine — 14,349
60. Kuwait — 14,346
61. Maldives — 14,263
62. Turkey — 14,102
63. Bulgaria — 14,069
64. Latvia — 13,680
65. Iraq — 13,287
66. Iran — 13,187
67. Brazil — 12,779
68. Greece — 12,362
69. North Macedonia — 12,218
70. Dominican Republic — 12,170
71. Bahamas — 11,070
72. Costa Rica — 10,622
73. Tonga — 10,371
74. Libya — 9,948
75. Poland — 9,468
76. Saint Vincent and the Grenadines — 8,760
77. Kazakhstan — 8,688
78. Egypt — 8,616
79. Belarus — 8,438
80. Tunisia — 8,414
81. Belize — 8,398
82. China — 7,714
83. Eswatini — 7,321
84. Panama — 6,979
85. Trinidad and Tobago — 6,969
86. Yemen — 6,638
87. Romania — 6,615
88. Gabon — 6,562
89. Paraguay — 6,529
90. Sao Tome and Principe — 6,195
91. Turkmenistan — 6,176
92. Colombia — 6,160
93. Mexico — 6,052
94. Malta — 6,003
95. Syria — 5,616
96. Mongolia — 5,554
97. Comoros — 5,152
98. Jamaica — 5,134
99. Ukraine — 4,889
100. Albania — 4,875
Os dados vêm do World Bank, mais especificamente do banco de dados World Development Indicators (WDI).
O indicador utilizado é:
• Agriculture value added per worker
• Código no banco do Banco Mundial: NV.AGR.EMPL.KD
• Unidade: US$ constantes de 2015 por trabalhador
O que esse indicador mede
Ele calcula:
Onde:
• Valor adicionado agrícola = produção agrícola menos insumos intermediários
• Inclui agricultura, pecuária, silvicultura e pesca
• Número de trabalhadores vem das estimativas da força de trabalho no setor.
Como o Banco Mundial constrói a série
O indicador combina dados de duas fontes principais:
1. Contas nacionais (valor adicionado do setor agrícola)
2. Estatísticas de emprego setorial (ILO e estatísticas nacionais)
Depois divide os dois para estimar produtividade média do trabalhador agrícola.
Por que esse indicador é muito usado em economia do desenvolvimento
Ele é um dos indicadores clássicos para medir:
• produtividade agrícola
• transformação estrutural
• diferença de produtividade entre agricultura e indústria
Ele aparece frequentemente em trabalhos de economistas como:
• Arthur Lewis
• Hollis Chenery
• Dani Rodrik
porque ajuda a entender por que países pobres têm tanta gente no campo com baixa produtividade.


A França aparece em 20º, e o Brasil bem atrás. Não é esquisito que uma agricultura tão produtiva tenha medo da produtividade brasileira no acordo UE-Mercosul? Tenho dúvidas quanto a metodologia adotada.. leva-se em conta subsídios? De que forma?