Breve história do colapso da URSS, das reformas de Gorbatchov e da ascensão de Boris Yeltsin

A queda da União Soviética foi um processo complexo que ocorreu ao longo da década de 1980 e início dos anos 1990. Inicialmente, sob a liderança de Mikhail Gorbatchov, a União Soviética passou por reformas políticas e econômicas, conhecidas como “glasnost” (transparência) e “perestroika” (reestruturação), visando modernizar o país e tornar o sistema comunista mais flexível.

Entretanto, as reformas de Gorbatchov desencadearam mudanças que acabaram minando a autoridade central do governo soviético e dando mais poder às repúblicas individuais dentro da União Soviética. Isso culminou em uma série de movimentos de independência por parte das repúblicas soviéticas, desafiando a integridade do Estado.

Em agosto de 1991, um grupo de líderes conservadores do Partido Comunista e oficiais militares realizou uma tentativa de golpe contra Gorbachev, na tentativa de restaurar o antigo sistema comunista. No entanto, o golpe falhou devido à resistência popular e à falta de apoio dos líderes das repúblicas.

Boris Yeltsin, o presidente da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, emergiu como uma figura-chave durante o golpe ao liderar a resistência contra os conspiradores. Sua postura firme e sua popularidade o estabeleceram como o principal líder político na Rússia e um dos principais arquitetos da dissolução da União Soviética.

Após o fracasso do golpe, Gorbatchov retornou ao poder, mas a influência e a autoridade da União Soviética já estavam severamente comprometidas. Em dezembro de 1991, as repúblicas soviéticas, incluindo a Rússia, declararam oficialmente a independência, e a União Soviética deixou de existir. Boris Yeltsin, então, assumiu como presidente da Rússia e liderou o país durante um período de transição tumultuado, marcado por desafios econômicos e políticos significativos.

Mikhail Gorbachev emergiu como líder da União Soviética em 1985, com uma visão reformista que buscava modernizar e revitalizar o sistema comunista. Suas reformas, conhecidas como “glasnost” (abertura política) e “perestroika” (reestruturação econômica), foram destinadas a corrigir os problemas econômicos e políticos do país.

A “glasnost” permitiu maior liberdade de expressão, incentivando o debate público e a crítica ao regime. Isso levou à divulgação de informações sobre os abusos do governo, a corrupção e os problemas sociais, minando a autoridade do Partido Comunista.

Enquanto isso, a “perestroika” visava reformar a economia centralmente planejada, introduzindo elementos de mercado e descentralizando o controle estatal sobre as indústrias. No entanto, essas mudanças acabaram levando a problemas econômicos, como escassez de bens e inflação.

As reformas de Gorbachev abriram um caminho para mudanças políticas e sociais irreversíveis. A perda do controle centralizado do Partido Comunista e o enfraquecimento do sistema de governo soviético permitiram o ressurgimento de movimentos separatistas em várias repúblicas soviéticas, como a Lituânia, Letônia e Estônia.

Além disso, a política externa de Gorbachev também teve um papel crucial. Sua busca por uma “nova era de relações internacionais” e seu desejo de reduzir as tensões com o Ocidente levaram à assinatura de tratados de desarmamento, como o Tratado INF, e à retirada das tropas soviéticas do Afeganistão.

No entanto, essas reformas desencadearam forças que Gorbachev não conseguia controlar. A crescente insatisfação interna, combinada com as pressões externas, culminou no golpe de agosto de 1991, quando membros conservadores do governo tentaram tomar o poder. Embora o golpe tenha falhado, enfraqueceu ainda mais a autoridade de Gorbachev.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) incluía inicialmente 15 repúblicas: Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Estônia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Letônia, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão.

Quanto à invasão e dominação desses países pela Rússia, durante a existência da URSS, o processo variou de acordo com cada nação. Alguns foram anexados à força, enquanto outros foram incorporados por meio de tratados ou acordos políticos. O controle era mantido por meio de um sistema político autoritário e centralizado, com o Partido Comunista da União Soviética exercendo grande poder sobre as repúblicas e seus líderes locais. As políticas de russificação também desempenharam um papel importante na imposição da cultura e da língua russa nessas regiões. Após a dissolução da URSS em 1991, muitos desses países recuperaram sua independência.

Boris Yeltsin desempenhou um papel crucial no desmantelamento final da União Soviética. Como presidente da República Socialista Federativa Soviética da Rússia (RSFSR) e depois como presidente da Federação Russa, Yeltsin liderou a oposição ao golpe de Estado de agosto de 1991, promovido por membros conservadores do Partido Comunista e líderes militares soviéticos.

Yeltsin emergiu como um líder popular e defensor da democracia, ganhando apoio internacional e doméstico por sua resistência ao golpe. Ele aproveitou a crise para fortalecer a posição da Rússia em relação à União Soviética, acelerando o colapso do regime comunista. Durante o golpe, Yeltsin mobilizou o povo russo para resistir aos golpistas e consolidou o poder político em torno da Rússia, minando a autoridade central do governo soviético.

Após o fracasso do golpe, a legitimidade do governo central soviético ficou enfraquecida, e Yeltsin aproveitou a oportunidade para avançar na agenda de reformas democráticas e de mercado na Rússia. Ele firmou acordos com líderes de outras repúblicas soviéticas, incluindo a assinatura do Tratado de Belavezha em dezembro de 1991, que formalmente dissolveu a União Soviética e estabeleceu a Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

Assim, Yeltsin desempenhou um papel fundamental no desmonte final da URSS, liderando a Rússia em direção à independência e ao estabelecimento de uma nova ordem política na região. No entanto, seu mandato como presidente também foi marcado por desafios econômicos e políticos significativos, incluindo crises financeiras e conflitos étnicos dentro da própria Rússia.

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