No mercado de trabalho brasileiro, o Caged mostrou a criação de 129,8 mil vagas formais em julho, número levemente abaixo da expectativa de 135 mil e inferior às 166 mil vagas de junho. O ritmo segue positivo, mas aponta uma desaceleração. Amanhã será divulgado o resultado da PNAD Contínua do IBGE, que deve confirmar esse quadro de arrefecimento no emprego.
No campo da inflação, o IGP-M de agosto registrou alta de 0,36%, revertendo a deflação de 0,77% de julho. Ou seja, o ciclo de queda de preços observado nos últimos três meses perdeu força. Ainda assim, há sinais de alívio no varejo: o IPC-M caiu 0,07% em agosto, em linha com o IPCA-15, que também havia mostrado deflação de 0,14%. Isso sugere que a deflação no atacado chegou, em parte, ao consumidor.
O IPA agrícola ainda registrou deflação de 0,52% (bem menor que a de 3,79% em julho), enquanto o IPA industrial subiu, mostrando que a queda generalizada dos preços no atacado perdeu intensidade e agora temos movimentos mais pontuais.
Nos Estados Unidos, a segunda leitura do PIB do segundo trimestre apontou crescimento de 3,3%, ligeiramente acima da estimativa anterior de 3,2%. No primeiro trimestre, o PIB havia sido prejudicado pela disparada das importações, que depois despencaram, ajudando o crescimento no trimestre seguinte. Considerando esse ajuste, a economia americana cresce em torno de 1,9% a 2% ao ano, em ritmo moderado, mas consistente.
Outro dado relevante foi o número de pedidos semanais de seguro-desemprego, que se manteve estável em torno de 230 mil solicitações, indicando um mercado de trabalho ainda razoavelmente sólido.
No mercado financeiro, observa-se uma forte queda das taxas de juros longas nos EUA, reflexo de expectativas de cortes pelo Federal Reserve. Esse movimento ajudou também na queda da curva de juros futuros no Brasil, reforçada pelos sinais de inflação mais controlada por aqui. Esse quadro tem contribuído para a valorização do real nos últimos dias.
Por fim, uma pesquisa eleitoral divulgada hoje mostrou o governador Tarcísio de Freitas à frente do presidente Lula na disputa presidencial de 2026, o que também influenciou a percepção política e de risco do mercado.
Em resumo:
Emprego no Brasil desacelera, mas segue positivo. Inflação mostra sinais mistos: retomada no atacado, mas deflação no varejo. PIB dos EUA cresce em linha com expectativa, sugerindo economia estável. Juros longos em queda nos EUA e no Brasil, com impacto positivo nos mercados locais.


