O tipo de bem produzido condiciona a riqueza de uma nação

O que observamos na pratica sobre o desenvolvimento econômico? Tomemos por exemplo o estado alemão de Baden-Wurttemberg que conta com 10 milhoes de habitantes e produz o equivalente ao PIB norueguês e 3x mais do que o PIB português. O que se produz lá que faz com que as pessoas sejam tão ricas e eficientes? Ouro? Muito pelo contrário. A produção de riquezas naturais e agricultura é praticante irrelevante por lá. Seriam os restaurantes, as farmácias, hospitais, shopping centers e cabelereiros a fonte de tanta produtividade e riqueza? Também não. A grande fonte de riqueza e produtividade desse estado está na produção de bens transacionáveis sofisticados. Aí se baseiam companhias como Porsche, Hugo Boss, Zeiss, Mercedes e SAP e inúmeras outras nas áreas de mecânica de precisão e maquinaria . O estado não é rico graças aos seus recursos naturais, é rico por conta de sua rede produtiva altamente sofisticada que abastece o mundo inteiro com bens transacionáveis complexos. Ainda na mesma região, no estado vizinho da Bavaria os destaques são:  BMW, Audi, Siemens, Continental, MAN, Puma e Adidas.

Uma maneira simples para se entender o que é desenvolvimento econômico é pensar em termos de sofisticação produtiva. São ricos e desenvolvidos aqueles países capazes de produzir e vender no mercado mundial bens complexos e sofisticados. São pobres aqueles apenas capazes de produzir e vender coisas simples e rudimentares. Por isso o desenvolvimento econômico pode também ser entendido como a capacidade de uma sociedade de conhecer e controlar técnicas produtivas, especialmente nos mercados mundiais mais relevantes (o que os economistas chamam de bens transacionáveis). Os mapas abaixo ilustram o ponto de forma bem clara usando o Atlas da Complexidade Econômica. Os dois rankings mostram os 15 produtos mais complexos e menos complexos do comércio mundial numa lista com 4.654 produtos para 2013. Dentre os mais simples se destacam alpiste, castanhas de caju e novelos de juta. Dentre os mais complexos estão peças de relógios de alta precisão, silicone puro e filmes químicos. Na sequência os mapas mostram os principais produtores e exportadores desses produtos no comércio mundial. Para produtos complexos o destaque fica com Suíça, Alemanha, Japão e EUA. Para produtos rudimentares, países pobres da África e Ásia.  Aula que gravei sobre o tema:

ver Construindo Complexidadea importância do que se exportaos quatro motores da Europa

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12 thoughts on “O tipo de bem produzido condiciona a riqueza de uma nação”

  1. Paulo,

    Ótimo artigo, encontrei o Blog a pouco tempo e sempre acompanho. Mas trazendo para o Brasil, a falta de mão de obra qualificada seria o maior problema em transformar esses bens transacionáveis simples (Commodities)em Bens mais sofisticados ?

  2. Prezado, excelente, como sempre! À guisa de “provocação”, deixo-lhe a pergunta de 1 trilhão de reais: como seria possível sair dessa armadilha, nas próximas décadas?

  3. Excelente!
    Obs.1: Multinacionais alemãs produzem riqueza para a Alemanha. Ter uma multinacional estrangeira na manufatura complexa ou não em um país de 3º mundo significa riqueza e bons empregos no país sede e não no país consumidor (vide indústria brasileira automotiva, farmacêutica, química, etc.) Precisamos ter a nossa pesquisa e desenvolvimento para gerar patentes de novos produtos brasileiros e vendê-los para o mundo, gerando bons empregos e riqueza para o Brasil, como explica o brilhante Paulo Gala.
    Obs.2: Os países desenvolvidos passaram pela fase de explorar as riquezas naturais agregando valor há séculos, nós não saímos dessa fase até hoje! Será por acaso? Temos jovens universitários com trabalhos, premiados pelo mundo a fora, que se tornariam em manufatura complexa. Qual a fórmula que nossos digníssimos representantes eleitos utilizam para essas invenções nunca virarem bens transacionáveis da Pátria Amada Brasil?
    A história revela um rastro de acontecimentos difíceis de entender, venda/quebra da FNM, supressão da malha ferroviária, sabotagem do Gurgel, linhas de crédito maravilhosas para produção(somente) de commodities. Será que um dia vão parar de atrapalhar o 3º mundo e nossa economia se desenvolverá?

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