CDS mostra Brasil com baixo risco

Os mercados estão bastante preocupados com a escalada do conflito no Oriente Médio, após o ataque do Irã a Israel. A preocupação com retaliações e uma possível escalada de guerra é considerável. É um momento delicado. As bolsas ainda reagiram bem, mantendo-se praticamente estáveis, mas há muita apreensão. Além disso, nos Estados Unidos, temos a greve dos portos, que já completou três dias, tanto na Costa Leste quanto na Costa Oeste, o que causa problemas significativos para a logística americana de abastecimento de combustíveis e alimentos, podendo gerar alguma consequência inflacionária devido à quebra nas cadeias de suprimentos. Quanto à agenda de dados, está mais tranquila hoje. Ontem tivemos o relatório ADP mostrando o mercado de trabalho um pouco mais forte nos Estados Unidos. Hoje teremos os pedidos de seguro-desemprego, mas o destaque importante é o relatório de empregos (Payroll) que será divulgado amanhã. Algumas estimativas indicam que a greve dos portos pode afetar os números do Payroll de outubro, reduzindo a criação de vagas para cerca de 50 mil, mas essa é uma discussão para o início de novembro. Já para setembro, a expectativa do mercado é de algo em torno de 100 mil a 120 mil vagas criadas. Esse dado será crucial para calibrar a decisão do Fed na próxima reunião.

No Brasil, o mercado está digerindo o upgrade da nota da Moody’s. Houve algumas críticas à Moody’s, mas considero que a nota foi bastante razoável. A situação fiscal brasileira está em um nível aceitável, e as críticas se concentram mais na direção do que pode ocorrer no futuro. O governo, evidentemente, precisa endereçar os problemas futuros no momento apropriado. Ainda não temos grau de investimento, faltam passos importantes, e isso pode demorar, mas acredito que esteja ao alcance do governo, especialmente se forem tomadas medidas de controle de despesas. O CDS do Brasil, por exemplo, está na mínima de cinco anos. Embora haja algum estresse na curva de juros, especialmente o juro longo na casa dos 12%, houve uma pequena queda após a melhora da nota da Moody’s. Existe uma perspectiva de alta dos juros do Banco Central do Brasil, devido a preocupações com a inflação, impulsionada por preços de alimentos e pela seca no último trimestre. Mesmo assim, o CDS está bastante tranquilo, e comparando com outros países, como Turquia e Argentina, ou mesmo com pares latino-americanos como Colômbia, México, Peru e Chile, a situação do Brasil é razoável.

Acredito que a nota da Moody’s faz sentido e, eventualmente, as outras agências poderão melhorar suas avaliações. Contudo, para que o arcabouço fiscal se sustente, o governo precisará cortar despesas em algum momento. Não é viável imaginar o arcabouço funcionando apenas com aumento de receita e crescimento de 3% ao ano. Se o crescimento desacelerar para 1,5% ou 1%, a situação fiscal pode se tornar insustentável. Assim, para atingir o grau de investimento, medidas de contenção de gastos precisarão ser anunciadas. Hoje, teremos dados do PMI e do ISM nos Estados Unidos, além de discursos de Campos Neto, mas a agenda de dados está relativamente vazia. Amanhã teremos o grande destaque da semana, o Payroll, que traz o retrato do mercado de trabalho americano.

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