Cenário melhor nos EUA, taxa SELIC pode cair abaixo de 10%

Nos últimos dias houve uma mudança importante nos mercados iniciada pelo discurso do presidente do Federal Reserve na semana passada. Ele adotou um tom mais “dovish”, sugerindo que não vê um aumento nas taxas de juros nos Estados Unidos, o que acalmou os mercados. No entanto, o destaque foi o relatório de Payroll na sexta-feira, que mostrou uma criação de empregos muito menor do que o esperado, com apenas 175 mil vagas criadas em comparação com as previsões de 250 mil. Além disso, a taxa de desemprego subiu de 3,8% para 3,9% e os ganhos salariais desaceleraram. Esses dados indicam um mercado de trabalho mais fraco nos EUA, aliviando a pressão inflacionária e aumentando a expectativa de dois cortes de juros no segundo semestre, reduzindo as taxas dos FED funds 5,5% para 5%. Isso levou a uma forte recuperação nos mercados, com bolsas americanas subindo mais de 1%, o indice Bovespa voltando para 128 mil pontos e o real se valorizando para 5,08 em relação ao dólar. Além disso, a curva de juros brasileira cedeu, com a taxa de 10 anos caindo para 11,50%. A notícia da perspectiva de melhoria na nota de crédito do Brasil também ajudou, assim como o superávit primário de R$ 54 bilhões no primeiro trimestre, que indica uma situação fiscal estável. A decisão do Copom prevista para quarta-feira é aguardada. Há incertezas sobre o tamanho do corte na taxa Selic, com dois terços do mercado esperando um corte de 0,25% e um terço prevendo um corte de 0,50%. O cenário internacional, incluindo a desaceleração nos EUA, também será considerado. Parece haver divisões sobre a decisão, com alguns membros do Copom ainda favoráveis a um corte de 0,50%, enquanto outros podem preferir um corte de 0,25%. Isso pode resultar em uma votação não unânime. Além disso, há preocupações sobre a inflação, com projeções para 3,73% este ano e 3,64% no próximo, o que indica uma desancoragem em relação a meta de 3%. As projeções para a Selic no final deste ano e do próximo também subiram, para 9,63% e 8,75%, respectivamente. No geral, há incertezas sobre o fim deste ciclo de cortes de juros, que a curva de juros sugere estar próximo de 10%. Tudo isso será influenciado pelo cenário internacional, como visto nos últimos três dias, e por indicadores econômicos importantes no Brasil, como o PMI e as vendas no varejo.

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