Cenário para decisão do COPOM ficou mais complexo

No mês de abril a moeda brasileira tem um dos piores desempenhos do mundo emergente. Essa tendência começou com o índice CPI, mostrando uma inflação mais forte nos Estados Unidos, seguida por dados de atividade robustos. Isso levou a preocupações de que a economia dos EUA não desaceleraria, dificultando o alcance da meta de inflação. Os comentários dos diretores do Fed indicam preocupações com a inflação persistente, o que levou o mercado a acreditar em um corte de juros por lá apenas em setembro. Na Zona do Euro, o corte pode ocorrer antes, possivelmente em junho ou julho. Recentemente, houve boas notícias sobre a inflação na europa, o que poderia levar a uma aceleração nos cortes de juros, desvalorizando ainda mais o euro em relação ao dólar. A reprecificação do momento do corte de juros nos EUA está causando impactos nos mercados emergentes, incluindo o Brasil. Esse estresse pode diminuir se houver melhores indicadores de inflação e comentários dos diretores do Fed. Apesar do cenário desafiador, houve uma alta na atividade econômica brasileira medida pelo IBC-BR em fevereiro, com um aumento de 0,4% em relação a janeiro. No bimestre, houve um forte crescimento de 2,95%, indicando uma economia brasileira mais aquecida em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em doze meses, o IBC-BR mostra um crescimento acumulado de 2,34%.

No final do ano passado havia a ideia de que as coisas estavam se encaminhando para convergência da inflação e cortes de juros nos EUA, marcando o que foi chamado de pivô ou virada do Fed. Nas últimas semanas assistimos uma reversão desse pivô. Basicamente o Fed mudou sua mensagem de corte de juros no final do ano passado, quando a taxa de dez anos caiu para 3,80, para uma mensagem de que os juros ficarão mais altos por mais tempo. Os dados do primeiro trimestre nos EUA mostraram mais inflação, mais crescimento e um mercado de trabalho mais robusto do que o esperado. O Fed teve que reajustar sua posição, indicando que talvez não corte os juros tão cedo. No Brasil, isso complica as coisas para o Banco Central, como indicado pelos comentários de Campos Neto. A perspectiva da próxima reunião de maio agora está em aberto, com a possibilidade de um corte de juros menor ou até mesmo nenhum corte. A situação é complicada, com a taxa de câmbio acima dos R$5 e a curva de juros precificando uma SELIC terminal mais próxima de 10%. Olhando para frente, há incertezas devido à desvalorização da moeda e à pressão dos juros nos EUA. Ainda há espaço para um corte de meio ponto; antes, havia um cenário mais claro com corte de 0,5% em maio e possível anúncio de uma desaceleração para 0,25 nos cortes futuros. Agora o COPOM deve possivelmente cortar meio ponto e deixar a porta aberta. Não encerrariam o ciclo, mas também não antecipariam os próximos passos.

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