Cenário resumido para 2025

Cenário Internacional

Ontem, tivemos dados mais fracos da economia americana. O índice ISM, que mede a atividade econômica, mostrou uma leve desaceleração em novembro. O relatório ADP, que antecipa dados de criação de empregos, registrou apenas 150 mil vagas, abaixo das expectativas.

O cenário indica a possibilidade de mais um corte de 0,25 p.p. na taxa básica dos EUA, levando a taxa Fed Funds para o intervalo de 4,25% a 4,50%. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, declarou que a inflação está convergindo para a meta de 2% e que não há pressa em ajustar significativamente a política monetária. Isso marca o encerramento do “capítulo inflacionário” pós-pandemia.

Com a possível posse de Donald Trump em janeiro, há incertezas sobre a política econômica. Um cenário de tarifas mais agressivas e restrições à imigração pode desencadear um novo ciclo inflacionário nos EUA. Por outro lado, um Trump mais moderado pode resultar em taxas de juros mais baixas, potencialmente caindo para 3%.

O mercado de criptomoedas também se destacou. O Bitcoin superou a marca de US$ 100 mil, atingindo US$ 103 mil, impulsionado pela nomeação de um nome ligado ao setor para um cargo regulatório importante no governo Trump. Esse movimento gerou grande euforia no mercado cripto, mas há discussões sobre os desafios regulatórios futuros.

As bolsas americanas seguem em máximas históricas, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 10 anos recuaram para 4,10%, vindo de picos próximos a 4,40%, alimentando o otimismo.


Cenário Brasileiro

No Brasil, o principal destaque foi a aprovação do regime de urgência no Congresso para o pacote fiscal. Uma das medidas centrais é alinhar o aumento do salário mínimo ao teto do arcabouço fiscal, projetado em 2,5% de crescimento real. Isso é significativo, considerando que o crescimento real do salário mínimo na última década ficou em torno de 2% ou menos. O salário mínimo é um indexador importante, impactando mais de R$ 1 trilhão em despesas, como aposentadorias e benefícios sociais.

A inflação deve fechar o ano em torno de 4,8%, acima da meta, e pode permanecer elevada no próximo ano. O Banco Central deve reagir com aumentos na taxa Selic. Há expectativas de um aumento de 0,75 p.p. em dezembro, seguido por mais 0,75 p.p. em janeiro, levando a Selic para 13% ou mais, o que adicionará cerca de R$ 40 bilhões em custos fiscais para cada ponto percentual de alta.

O crescimento econômico em 2024 foi robusto, impulsionado pela safra agrícola, com projeções de crescimento entre 2% e 2,5% para 2025. A inflação pode convergir para 4%, enquanto o desemprego deve permanecer em torno de 6%. Além disso, índices de pobreza e de jovens que não estudam nem trabalham (NEET) estão em mínimas históricas, o que é uma excelente notícia para a recuperação social e econômica.


Comparativo com a Argentina

Diferente do Brasil, a Argentina enfrenta uma contração econômica severa, com o PIB caindo quase 4% em 2024, alta significativa da pobreza e efeitos adversos das políticas de ajuste fiscal drástico. O Brasil, ao evitar cortes extremos de despesas públicas, mantém um cenário mais estável, mas a moderação fiscal é necessária para conter a inflação.


Perspectivas para 2025

  1. Taxa Selic: Deve se estabilizar em 13% ou mais, como parte do ajuste monetário para controlar a inflação.
  2. Inflação: Pode convergir para 4%, mas ainda acima da meta do Banco Central.
  3. Câmbio: Pode recuar para abaixo de R$ 6,00, corrigindo o excesso recente (“overshooting”).
  4. Crescimento Econômico: Projeção entre 2% e 2,5%, com recuperação da safra agrícola e estabilidade do mercado de trabalho.

O cenário econômico do Brasil para 2025 parece promissor, com foco no equilíbrio entre ajustes fiscais e controle inflacionário, sem sacrificar o crescimento.

 

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