Chegou a recessão industrial no Brasil e no mundo

Hoje é feriado nos Estados Unidos, mas isso não significa que os mercados estejam completamente parados. Na verdade, ontem a Bolsa Brasileira teve um desempenho bastante positivo, atingindo quase 120 mil pontos e alcançando uma alta de 1,4%. O dólar se valorizou ligeiramente no Brasil, atingindo R$4,80, e os juros futuros continuaram em queda, oscilando em torno de 10% no centro da curva. Essa queda nos juros é significativa, pois já estamos caminhando para níveis de um dígito, como 9,90% e até um pouco abaixo. Isso representa um marco importante na curva de juros, indicando a possibilidade de cortes de 0,50% na próxima reunião do COPOM, que ocorrerá em agosto. Embora muitos ainda acreditem que o corte será de 0,25%, há quem já esteja apostando em um corte maior. É interessante notar que, apenas dois meses atrás, vértices mais longos da curva de juros estavam em torno de 13,50%. Agora, estamos falando de 10,50% para janeiro de 2031, o que representa uma redução de 300 pontos-base nos juros ao longo desse período. Isso mostra um alívio impressionante e, claro, tem impulsionado o rali que temos visto na bolsa brasileira e a movimentação geral do mercado de capitais. No primeiro semestre, a bolsa teve uma alta de 7% e as small caps tiveram um desempenho ainda melhor, com uma alta acima de 10% no primeiro semestre. No geral, é um resultado muito positivo para os ativos brasileiros.

Ontem tivemos várias notícias de atividade industrial fraca, com índices de gerentes de compras (PMIs) abaixo do esperado. Isso indica que o mundo está de fato em uma recessão industrial, com todos os PMIs em contração na Europa, Alemanha, Estados Unidos e Brasil. Esses dados, referentes ao mês de junho, aumentam a chance de uma interrupção do ciclo de alta na Europa, com uma possível estabilização da taxa de juros em 4%. Nos Estados Unidos, também é mais provável que ocorra apenas mais um aumento de 0,25%. O quadro de atividade fraca é preocupante. No entanto, vale ressaltar que o setor de serviços tem se destacado tanto na Europa quanto nos Estados Unidos e também no Brasil, ajudando a manter a atividade econômica. Por outro lado, o setor industrial está bastante retraído. Na China, os dados também são fracos, embora um pouco melhores do que o esperado. Ainda assim, longe de indicar uma expansão industrial vigorosa. Essa tendência é observada em todo o mundo, e aponta na direção de cortes de juros e uma possível interrupção do ciclo de alta em um futuro próximo.

Um dado impressionante para o Brasil foi o superávit recorde de US$10 bilhões na balança comercial em junho, o maior da história para o mês. No acumulado do ano, já alcançamos US$45 bilhões de superávit na balança comercial. É possível que esse número chegue a quase 3% do PIB ao longo do ano, o que seria um resultado verdadeiramente surpreendente. O MDIC divulgou uma previsão de superávit de US$80 bilhões para a balança comercial brasileira. Esse fluxo constante de dólares para o Brasil é bastante positivo e tem ajudado a estabilizar nossa moeda. Desde o início do ano, temos mencionado que é mais provável que o câmbio fique em torno de R$4,50, em vez de voltar para R$5,50. Acredito que esse cenário continue válido. No entanto, a produção industrial brasileira divulgada hoje de manhã mostrou um dado ruim, com uma queda de 0,3% em maio. Essa queda já era mais ou menos esperada, considerando a fraca atividade industrial no Brasil. Enquanto os serviços estão indo bem, o setor industrial está enfrentando dificuldades. Outra notícia relevante é o aumento do preço do petróleo hoje, impulsionado pelos cortes anunciados pela Arábia Saudita e pela Rússia, na tentativa de recuperar um pouco das perdas das últimas semanas. Nos próximos dias, temos uma agenda importante no Congresso, com a votação final do arcabouço fiscal do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), incluindo a questão do voto de qualidade. Amanhã, teremos a divulgação da ata do Federal Reserve (FED), que provavelmente será o destaque da semana.

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