O gráfico do PIB da China em 2024 revela de forma impressionante o perfil produtivo do país: trata-se de uma economia fortemente baseada na indústria. O setor de produção industrial sozinho representou US$ 5,6 trilhões, cerca de 30% do PIB total, com crescimento de 5,7% no ano. É um valor que supera isoladamente o PIB inteiro de países como o Brasil ou a Rússia. Essa estrutura evidencia que a China continua sendo, essencialmente, a “fábrica do mundo”.
É comum ouvir que “os chineses consomem pouco”, mas essa afirmação ignora o essencial: eles consomem muito, mas produzem mais ainda. O consumo doméstico chinês — que inclui comércio varejista, restaurantes, hotéis e serviços — movimenta cifras imensas. Só o setor de comércio atacadista e varejista gerou US$ 1,9 trilhão, e hotéis e restaurantes adicionaram mais US$ 0,3 trilhão. São valores que superam com folga o consumo interno de boa parte dos países ocidentais, inclusive o Brasil.
A diferença está no balanço produtivo. A China produz muito mais do que consome internamente. Com cerca de 32% da manufatura global e 12% do consumo mundial, o excedente de produção é exportado, tornando o país um pilar essencial das cadeias globais. Isso ajuda a explicar o enorme superávit comercial chinês e sua relevância nas cadeias industriais globais, dos eletrônicos à construção civil, passando por têxteis e equipamentos pesados.
Os dados também revelam a importância relativa dos setores menos industrializados. Por exemplo, o setor imobiliário, que por muitos anos foi motor do crescimento chinês, agora representa apenas US$ 1,2 trilhão e teve retração de 1,8% em 2024. Em contrapartida, setores modernos como tecnologia da informação e serviços empresariais cresceram mais de 10%, refletindo o esforço do país para migrar da “indústria pesada” para a “indústria inteligente”, sem, no entanto, abandonar sua base fabril.
Em resumo, a China é a prova viva de que uma economia pode ser moderna e ainda assim industrial. Longe de ser um país de consumo tímido, ela é uma potência de consumo multiplicada pela sua capacidade produtiva colossal. Quando comparado ao Brasil, o consumo chinês é múltiplas vezes maior em termos absolutos, e seu setor industrial é não apenas o maior do mundo, como também o principal motor de sua economia — e, por extensão, da economia global.


