China direciona pesados subsídios para seu setor químico que é considerado chave para o enriquecimento do país

A China compreendeu que depender exclusivamente de atividades de baixos salários, como a manufatura intensiva em mão de obra, limitava o seu potencial de crescimento econômico a longo prazo. Para enfrentar esse desafio, o país passou a incentivar setores de alta tecnologia e inovação, como os de tecnologia verde, inteligência artificial, semicondutores e biotecnologia, onde os salários são mais elevados e a produtividade é significativamente maior. Esse movimento estratégico gerou ganhos de produtividade que não apenas sustentam o crescimento salarial nos setores avançados, mas também criam um efeito de transbordamento que impulsiona salários e eficiência até em setores de menor produtividade. Dessa forma, a China está reestruturando sua economia para garantir crescimento contínuo e sustentável, equilibrando a modernização tecnológica com a melhoria das condições de trabalho em toda a cadeia produtiva.

Nos últimos anos, a China tem direcionado pesados subsídios para setores estratégicos, com especial foco na indústria química, considerada crucial para o crescimento económico e tecnológico do país. Essa estratégia faz parte de uma política industrial que visa posicionar a China na vanguarda das novas tecnologias verdes, como mostram os dados abaixo. Após 2016, o número de subsídios chineses para Produtos de Tecnologia Avançada (ATP) aumentou rapidamente, seguindo a tendência de priorizar setores estratégicos. A indústria química tem sido um dos principais alvos dessa política de subsídios. Em 2022, quase metade de todos os subsídios chineses foi destinada a produtos das indústrias de químicos, maquinaria, automóveis e metais. O governo chinês identificou dez setores como prioritários, incluindo novos materiais, biomedicina e produtos químicos. Estes setores, considerados fundamentais para o fortalecimento da base industrial do país, têm recebido uma parcela significativa dos investimentos públicos.

A concentração de subsídios na indústria química reflete a sua importância estratégica, não apenas para o desenvolvimento interno, mas também para o posicionamento da China no comércio global. Os subsídios chineses têm contribuído para o aumento da oferta e a redução dos preços de exportação em setores como produtos químicos, plásticos e equipamentos de comunicação. Estes subsídios, ao reduzir os custos de produção, têm gerado maior competitividade internacional, ao mesmo tempo que impulsionam o crescimento das exportações. Por fim, a análise dos efeitos indiretos dos subsídios ao longo das cadeias produtivas sugere que, em setores estratégicos como o químico, os subsídios podem ter levado a uma oferta excessiva, resultando em uma expansão significativa na produção e exportação. Essa abordagem coloca a China em uma posição competitiva no mercado global, especialmente nos setores de alta tecnologia e produtos químicos, considerados essenciais para o enriquecimento do país e para a sua liderança no cenário industrial do século XXI.

O governo brasileiro deveria adotar uma postura mais assertiva em relação à defesa do seu setor químico, especialmente em face da crescente competitividade dos produtos chineses, fortemente subsidiados. A China tem investido pesadamente em subsídios para seu setor químico, gerando uma oferta excessiva de produtos a preços reduzidos, o que prejudica a competitividade das indústrias químicas de outros países, incluindo o Brasil. Ao impor tarifas sobre produtos químicos chineses, o Brasil pode proteger sua indústria nacional de uma concorrência desleal, garantindo que as empresas locais tenham a oportunidade de crescer e se modernizar, sem serem sufocadas pela avalanche de produtos estrangeiros a preços artificialmente baixos. Este tipo de política não é apenas uma medida de proteção, mas também uma forma de garantir que a indústria química brasileira possa inovar e competir em pé de igualdade no cenário global.

Além disso, o Brasil deveria aproveitar a oportunidade de se tornar um líder na produção de produtos químicos voltados para a transição verde, um mercado em expansão que pode impulsionar o crescimento sustentável do país. Ao oferecer subsídios para empresas que desenvolvem tecnologias e produtos químicos ecologicamente corretos, o governo brasileiro pode estimular a inovação e fortalecer a posição do Brasil como um fornecedor global de soluções verdes. Com uma matriz energética já predominantemente renovável e vastos recursos naturais, o Brasil tem uma vantagem competitiva única para se destacar nesse setor. Investir na proteção e desenvolvimento do setor químico verde é não apenas uma questão de competitividade, mas também uma oportunidade estratégica de alinhamento com as demandas ambientais globais, criando empregos e impulsionando a economia nacional de forma sustentável.

referência: wpiea2024180-print-pdf_240903_164118

1 thought on “China direciona pesados subsídios para seu setor químico que é considerado chave para o enriquecimento do país”

  1. Impressionante, a China sempre usa essa estratégia de “subsidized pricing” para conseguir se infiltrar nos mercados, fizeram isto com a indústria de drones, agora os Estados Unidos tem que criar uma série de reformas e até criaram um Drone Act para deter a indústria de drones chinesa, que entrou no mercado de forma mais barata por conta desta prática de negócio, lembro-me de um caso parecido em que o BNDES fazia o mesmo com aeronaves da Embraer, onde ele financiava a aquisição de tais aeronaves e que a Bombardier Francesa começou a fazer o mesmo, no final ambas começaram a competir e acusar uma a outra de concorrência desleal, até que o FMI decidiu que as duas deveriam parar com políticas tão agressivas…
    Mas quando se trata do gigante chinês não vemos essa mão de ferro do FMI não é mesmo?

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