Colônias e Metrópoles: tecidos levam à riqueza e vinhos à pobreza

Uma maneira fácil de pensar na divisão do mundo colonial pós 1500 usando jargão corrente em economia seria: colonias se especializam em atividades sujeitas a retornos decrescentes (cafe, açúcar, algodão, vinho), metrópoles se especializam na produção de atividades com retornos crescentes (tecidos, trens, navios, maquinas e equipamentos). As atividades com retornos crescentes de escala trazem mais lucros e espaço para inovação, levam a criação de novas tecnologias e produzem estruturas de mercado monopolistas ou de concorrência monopolística. Matérias primas e recursos naturais estão sempre sujeitos a retornos decrescentes de escala e competição perfeita, são produtos commoditizados. Vamos ver se funciona? Inglaterra ficou rica com seus teares, navios, trens e maquinas. Portugal continuou pobre produzindo e exportando vinhos. Holanda virou potencia com suas manufaturas, Espanha continuou pobre exportando azeite, queijo na Andaluzia, Catalunha e norte se devolveram por conta da industria. As colonias holandesas na Asia eram todas pobres e agrícolas ate os 1950. A Inglaterra forcou a desindustrialização da Índia e Irlanda ainda nos 1600. Pensando em divisões regionais dos países em termos de riqueza e pobreza: i)sul da Itália rural pobre, norte industrial rico, ii)sul dos EUA baseado em algodão pobre, norte industrial rico, iii)sul do Brasil industrializado rico, norte e nordeste rural pobre. Não e´difícil perceber que as atividades manufatureiras e de serviços sofisticados sujeitas e retornos crescentes de escala levam a riqueza. Matérias primas e commodities sujeitas a retornos decrescentes congelam países na pobreza. Isso já tinha sacado Antonio Serra sobre a riqueza de Veneza e pobreza de Nápoles nos 1600 (https://en.wikipedia.org/wiki/Antonio_Serra) e também Duarte Ribeiro de Macedo sobre a trágica situação de Portugal nos 1600 (https://pt.wikipedia.org/wiki/Duarte_Ribeiro_de_Macedo).

Antonio Serra explica a riqueza de Veneza e pobreza de Nápoles nos 1600

A grande contradição de Adam Smith: a fábrica de alfinetes contra a mão invisível (ou mercantilismo x livre mercado)

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