Comentário sobre o discurso de Jerome Powell, presidente do FED, em Jackson Hole

Acabou de ser divulgado o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em Jackson Hole, nos Estados Unidos. O mercado interpretou a fala como dovish, ou seja, favorável ao início de cortes de juros já em setembro. A principal dúvida agora é se a redução será de 0,25 ou 0,50 ponto percentual na reunião de Setembro.

Antes da decisão, ainda teremos a divulgação do relatório de emprego, na primeira sexta-feira do mês, que pode reforçar essa tendência. Powell reconheceu que a inflação continua sendo um risco, já que o núcleo de preços (core inflation) segue pressionado. No entanto, destacou que o mercado de trabalho perdeu força, o que passou a pesar mais na avaliação do Fed. Nos últimos três meses, a criação média de vagas foi de apenas 30 mil, contra quase 100 mil no ano passado, uma desaceleração significativa.

Ele comparou a situação atual com a do encontro de Jackson Hole do ano passado, ressaltando que houve um claro enfraquecimento do mercado de trabalho desde então. Embora não seja ainda a decisão oficial do FOMC, o discurso indica de forma clara que os cortes de juros devem começar e podem se estender até o final do ano. Vale destacar que este foi o último discurso de Powell em Jackson Hole como presidente do Fed, o que dá ainda mais peso simbólico às suas palavras.

No campo político, a pressão de Donald Trump segue intensa. O ex-presidente inclusive voltou a criticar a diretoria do Fed, mencionando o caso da diretora Lisa Cook, acusada de irregularidade em aplicações de financiamento imobiliário. Trump tem usado esse tipo de episódio como argumento para defender mudanças na composição do banco central, visando uma postura mais agressiva de corte de juros.

O impacto imediato no mercado foi forte: juros longos e curtos caíram, os Treasuries de 10 e 2 anos recuaram, e o dólar perdeu força globalmente, refletindo expectativas de uma política monetária mais frouxa nos EUA. Para o Brasil, esse movimento é positivo: ajuda a derrubar a curva de juros interna e contribui para a valorização do real.

Em resumo, o discurso de Powell foi uma sinalização clara de que estamos às portas de um novo ciclo de cortes de juros nos EUA, com repercussões diretas sobre o mercado global e sobre o Brasil.

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