Complexidade Econômica é Desenvolvimento: por que a Ásia Avança enquanto o Brasil Regride

Países que constroem estruturas produtivas sofisticadas tornam-se mais ricos, resilientes e inovadores; países que permanecem presos a estruturas simples ficam vulneráveis, instáveis e condenados ao baixo crescimento. Não é uma disputa ideológica, é uma constatação empírica. Cada ano sem uma estratégia consistente de transformação produtiva afasta o país do grupo dos vencedores globais.

A experiência asiática mostra que pragmatismo importa mais do que rótulos ideológicos. Taiwan é capitalista com estatais estratégicas; a China se define como comunista, mas opera mercados intensamente competitivos; a Coreia do Sul apostou em grandes conglomerados privados sob forte coordenação estatal. Modelos institucionais diferentes, mesma lógica econômica: o Estado atua como organizador, coordenador e acelerador do processo de aprendizado produtivo. Em nenhum desses casos se esperou passivamente que “o mercado decidisse”.

O segundo pilar desse sucesso é o investimento massivo e persistente em P&D e educação técnica. A Coreia do Sul investe cerca de 5% do PIB em pesquisa e desenvolvimento; Taiwan, mais de 3%; a China, acima de 2%. O Brasil, por sua vez, permanece em torno de 1,2% do PIB — e em trajetória descendente. Sem engenheiros, sem pesquisa aplicada e sem integração entre universidades, empresas e Estado, não há salto de complexidade. Exportar minério é fácil; produzir semicondutores, turbinas de avião ou equipamentos médicos exige décadas de construção de capacidades técnicas densas.

Um terceiro elemento crucial é o câmbio competitivo sustentado. Os países asiáticos evitaram a apreciação excessiva de suas moedas para proteger a manufatura nascente e garantir escala produtiva. O Brasil fez o oposto: sempre que o ciclo de commodities é favorável, o real se valoriza, comprimindo margens industriais e inviabilizando o aprendizado produtivo. O resultado é previsível: a indústria perde espaço e a complexidade econômica cai.

Os dados do Economic Complexity Index (ECI) escancaram esse contraste. Entre 2014 e 2024, o Brasil caiu da 38ª para a 49ª posição no ranking global. No mesmo período, Taiwan ultrapassou a Alemanha, a China avançou quase dez posições, a Coreia do Sul alcançou o topo do ranking e países como Vietnã, Indonésia e até Camboja deram saltos relevantes. Eles estão fazendo hoje o que Coreia fez nos anos 1970, Taiwan nos anos 1980 e a China nos anos 2000. Não é acaso. É política deliberada.

Ranking de complexidade econômica no mundo: https://oec.world/en

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