Hoje, pela manhã, foi divulgado o IPCA-15, que veio abaixo da mediana das expectativas: alta de 0,26%, ante uma expectativa de 0,31%. A boa notícia foi reforçada pela média dos núcleos, que recuou de 0,40% para 0,31%, e pela queda na difusão do índice, de 66% para 57%. Este é o terceiro mês consecutivo de arrefecimento da inflação, mesmo com a alta da energia elétrica residencial (3,29%, devido à bandeira vermelha) e dos serviços (0,31%, ante 0,15% no mês anterior). Ainda assim, o resultado reforça a tendência de um junho e julho com boas leituras inflacionárias.
O Banco Central também divulgou seu Relatório de Política Monetária, cuja apresentação oficial será feita ainda hoje em entrevista coletiva com Gabriel Galípolo e Diogo Guillen. O conteúdo principal já havia sido antecipado na ata da última reunião do Copom, mas trarei uma análise detalhada mais tarde.
No cenário internacional, o destaque é a Nasdaq, que atingiu nova máxima histórica. Apesar do temor inicial após o anúncio de tarifas por Trump, os mercados se recuperaram, e o dólar segue em trajetória de desvalorização. O índice DXY está em 97, mínima de três anos. No Brasil, o real se valorizou, em parte também pela expectativa de troca na presidência do Federal Reserve. O mandato de Jerome Powell termina em março ou abril do ano que vem, e já há discussões sobre a escolha de um novo nome em setembro ou outubro. O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, informou que as entrevistas para o cargo começarão em breve, e há expectativa de que Trump indique alguém com perfil mais dovish, ou seja, favorável à redução dos juros — o que poderia ampliar o diferencial de juros entre EUA e Brasil para até 12 pontos percentuais, caso a Selic permaneça em 15%.
A notícia da noite foi a derrubada, pelo Congresso, do decreto do IOF — uma decisão rara, sem precedentes desde a era Collor. O decreto era particularmente criticado por onerar excessivamente o crédito para empresas e as remessas internacionais, funcionando, na prática, como um controle de capitais. Do ponto de vista macroeconômico, a revogação pode ser positiva, mas cria um novo problema fiscal: uma perda estimada de R$ 30 a R$ 40 bilhões em arrecadação.
O governo, já fragilizado politicamente, enfrenta uma derrota expressiva, tanto na Câmara quanto no Senado. A posição do Congresso também é contraditória: por um lado, aumenta o número de parlamentares e defende uma pauta fiscalista; por outro, amplia o gasto com emendas parlamentares, que somam cerca de R$ 50 bilhões.
Esse cenário agrava os desafios fiscais. Há risco crescente de descontrole nas contas públicas em 2026 ou 2027, já que o orçamento está sendo consumido por transferências sociais, desonerações tributárias — estimadas em R$ 500 bilhões — e juros da dívida, que já somam R$ 1 trilhão ao ano. Considerando ainda os gastos obrigatórios com saúde, educação e previdência, o espaço para despesas discricionárias está extremamente comprimido. Esse é o dilema fiscal que se impõe ao país.



