O índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos veio abaixo do esperado, com uma alta modesta de 0,1% no mês, frente a uma expectativa de 0,2%. O núcleo do PPI, que exclui os itens mais voláteis, também surpreendeu positivamente, subindo apenas 0,1% — a projeção era de 0,3%. Em termos anuais, o PPI cheio está rodando a 2,6%, enquanto o núcleo caiu para 3%. São mais sinais positivos de desaceleração da inflação americana, reforçando a leitura otimista iniciada ontem com o bom resultado do CPI. Os dados recentes de inflação reforçam a perspectiva de dois cortes de juros pelo Fed no segundo semestre.
Outro dado importante divulgado hoje foi o número de pedidos contínuos de seguro-desemprego nos EUA, que atingiu 1.956.000 — o maior patamar desde 2021, e próximo dos níveis observados durante a pandemia. O número sugere um mercado de trabalho um pouco mais frouxo, o que também ajuda no controle inflacionário.
No Brasil, começaram a valer entre ontem e hoje diversas medidas de aumento de tributação: fim das isenções de LCI e LCA, taxação sobre apostas (“bets”) e aumento da alíquota de IR sobre ganhos financeiros para 17,5%, incluindo também mudanças em JCP. A Câmara dos Deputados se mobiliza para tentar derrubar ao menos parte desses decretos. Ainda não está claro qual será o desfecho, mas o mercado reagiu com cautela: o real, que vinha se valorizando pela manhã, passou a se desvalorizar levemente, e a curva de juros abriu novamente com preocupações fiscais.
Apesar dos bons dados de atividade econômica recente, o quadro fiscal brasileiro segue pressionado. O risco de um colapso orçamentário a partir de 2025 preocupa agentes econômicos. O debate sobre cortes de gastos e ajuste estrutural permanece urgente.
Por fim, foi divulgado também o dado da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que mostrou uma queda de 0,4% nas vendas do varejo em abril, após três meses de alta. O dado sinaliza uma possível desaceleração do consumo no início do segundo trimestre, especialmente em setores dependentes de crédito, como bens duráveis — reflexo direto do nível elevado da taxa de juros.





