COPOM corta SELIC e FED faz “pivot”

O COPOM reduziu a taxa SELIC para 11,75% conforme o esperado. O comitê indicou de maneira unânime possíveis cortes adicionais de 0,50% nas próximas reuniões. A taxa SELIC deve chegar 10,75% em março. Em sua decisão destacou os riscos tanto para cima quanto para baixo da inflação, relacionados a atividade mais fraca, possível choque de preços de alimentos e importância de se cumprir as metas fiscais. Projeções mais otimistas sugerem uma redução da Selic terminal para 8,5% ou até 8%, proporcionando um cenário positivo para ativos financeiros no Brasil.  A grande novidade desse final de ano foi o comunicado do FED nos EUA indicando pelo menos três cortes de juros no próximo ano. Essa mudança de perspectiva foi evidenciada nas projeções de juros dos diretores no comunicado e especialmente na entrevista de J. Powell que levou a taxa de juros de títulos de 10 anos nos EUA a 3,90%. O mercado já enxerga grandes chances de cortes de juros em março. A mudança de postura do FED foi vista como um “pivot” ou cavalo-de-pau em relação as expectativas anteriores de manutenção dos juros. Esse novo cenário provocou um rali na bolsa brasileira que rompeu sua máxima histórica. Houve também uma forte queda nos juros longos brasileiros para o patamar de 10,5%. Os índices Dow Jones e Nasdaq também atingiram novo recorde histórico.

A China também surpreendeu com uma produção industrial crescendo 6,6% em novembro. Apesar do varejo ter crescido 10% também em novembro, o dado veio um pouco abaixo das expectativas. A recuperação dos preços do petróleo, impulsionada pelos juros mais baixos e a ativação da economia chinesa é também acompanhada por uma alta no preço do minério de ferro, indicando um cenário mais aliviado para o crescimento econômico e atividade no próximo ano. No Brasil houve uma queda no varejo em outubro. Os dados da pesquisa mensal de serviços também mostraram uma contração significativa de 0,6% em outubro, aumentando as chances de uma contração do PIB no quarto trimestre. O setor de serviços representa cerca de 70% da economia brasileira. Há também uma ligeira melhora na inflação brasileira, que atingiu 0,28% no IPCA de novembro. No acumulado do ano o índice registra alta de 4,04%. Nos Estados Unidos, o índice CPI, que mede preços ao consumidor, atingiu 0,1% em novembro, enquanto a expectativa era zero. No acumulado de doze meses, o índice foi a 3,1%, ainda acima da meta de inflação de 2% por lá, mas bem abaixo do pico de 8% atingido há poucos meses. O cenário de inflação e atividade tanto no Brasil quanto nos EUA aponta para convergência da inflação para patamares próximos das metas e atividade econômica mais fraca. Nesse contexto os BCs devem entrar em ciclo coordenado de cortes de taxas de juros em 2024.

 

Ideias chave:

1)Redução da taxa SELIC para 11,75% conforme esperado. Previsão unânime de cortes adicionais de 0,50% nas próximas reuniões. Expectativa de SELIC em 10,75% em março.

2)Mudança de Perspectiva do FED nos EUA. Comunicado indicando pelo menos três cortes de juros no próximo ano. Taxa de juros de títulos de 10 anos nos EUA atingiu 3,90%.

3)Rali na bolsa brasileira, atingindo nova máxima histórica. Forte queda nos juros longos brasileiros para 10,5%. Índices Dow Jones e Nasdaq também alcançaram novo recorde histórico.

4)Bom desempenho Econômico da China. Produção industrial chinesa cresceu 6,6% em novembro, consolidando-se como a maior indústria do mundo.Varejo cresceu 10%, um pouco abaixo das expectativas.

5)Situação Econômica no Brasil. Queda no varejo brasileiro em outubro. Pesquisa Mensal de Serviços mostrou contração significativa de 0,6% em outubro. Possibilidade de contração do PIB no quarto trimestre, dado o peso do setor de serviços

6)Indicadores Econômicos no Brasil e nos EUA indicam desaceleração da atividade econômica no Brasil. Ligeira melhora na inflação brasileira e expectativa de ciclo coordenado de cortes de taxas de juros em 2024 pelos Bancos Centrais.

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