Copom deve manter juros em 15%

Começamos a semana de segunda-feira, 28 de julho, com a divulgação do Relatório Focus, que trouxe uma leve melhora na expectativa de inflação para 2024, agora projetada em 5,09%. Para 2025. A expectativa para o PIB deste ano segue em 2,4%, sem alterações relevantes em relação à semana passada.

A taxa Selic deve terminar 2025 em 15% e 2026 em 12,5%, conforme o Focus. Essa semana é marcada pela chamada “Super Quarta”, com decisões importantes de política monetária nos EUA e no Brasil. Aqui, o Copom deve manter a Selic. Embora na última reunião ainda houvesse uma pequena porta aberta para ajustes, o tom agora deve ser de conclusão. A novidade pode vir na forma de reconhecimento da desaceleração recente da atividade econômica, que talvez seja abordada com mais clareza no comunicado.

Os dados do segundo trimestre, em sua maioria, mostram uma desaceleração da economia brasileira, enquanto nos EUA ainda há sinais de força. Lá, a taxa de juros deve permanecer em 4,5% mas é possível que o Federal Reserve sinalize algum corte para o segundo semestre. Como de costume, os bancos centrais “telegrafam” seus movimentos antes de agir, e a simples sinalização já tende a produzir efeitos no mercado.

Vale lembrar também da forte pressão política que Jerome Powell tem sofrido por parte de Donald Trump. Na semana passada, durante uma visita as obras do FED, Trump criticou os custos elevados da reforma do prédio, afirmando que estimativas eram de US$ 2,5 bilhões, mas que havia documentos sugerindo US$ 3,1 bilhões. Em resposta, Powell, visivelmente constrangido, alegou que se tratava de outro edifício reformado anos atrás. De toda forma, a pressão para corte de juros nos EUA aumentou.

Sexta-feira também teremos a divulgação do Payroll, com a criação de vagas de trabalho. Outro destaque recente foi o anúncio de tarifas de 15% nos EUA para produtos europeus.

Além disso, EUA e China anunciaram uma extensão de 90 dias na trégua tarifária recíproca, mantendo as negociações em andamento. Nesse contexto, o Brasil se vê numa posição delicada: corre o risco de virar um exemplo negativo no radar americano, especialmente dentro do bloco dos BRICS, o que pode levar a retaliações comerciais.

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