Copom leva Selic a 11,25%

A ata do COPOM confirmou a elevação da SELIC para 11,25%, conforme o esperado, e ajustou a projeção do IPCA para o horizonte relevante da política monetária — o segundo trimestre de 2026 — para 3,6%. Essa é a informação mais importante do comunicado de ontem.

O COPOM está olhando a inflação a seis trimestres adiante, já que a meta de 3% para 2024 e 2025 parece difícil de alcançar, com a inflação esperada para este ano em 4,6% a 4,7% e para o próximo ano, em 4%. O objetivo é tentar trazer a inflação de volta à meta até o segundo trimestre de 2026. Para isso, o COPOM considera necessário elevar os juros.

O comunicado destacou vários fatores inflacionários, como o câmbio depreciado, o hiato de produto fechado e um mercado de trabalho apertado, que impactam a inflação dos serviços. Além disso, as expectativas inflacionárias estão desancoradas, com todos prevendo uma aceleração da inflação. A assimetria de riscos inflacionários é evidente, com destaque para os fatores fiscais, que aumentam o prêmio de risco e desvalorizam a moeda, afetando a inflação. Caso um pacote fiscal seja implementado, isso poderia reduzir o prêmio de risco e, consequentemente, aliviar o câmbio e a inflação.

O estímulo de demanda permanece forte. Esta semana, por exemplo, as vendas de veículos cresceram mais de 20% em relação ao ano anterior. Dados do PMI de serviços e a produção industrial indicam uma economia aquecida, com crescimento esperado em torno de 3,5% para este ano e desemprego em mínima histórica (ajustada sazonalmente). Entretanto, essa pressão de demanda eleva a inflação, podendo facilmente manter o IPCA em torno de 5% em 2024 e 2025.

O COPOM indicou que, se necessário, pode aumentar o ritmo de elevação dos juros de 0,5 para 0,75 ponto percentual e ajustar a magnitude total do ciclo conforme as condições inflacionárias. O mercado já projeta uma SELIC chegando a 13% no pico, o que poderia trazer mais credibilidade ao COPOM. A questão fiscal também é crucial e pode influenciar a política monetária.

No cenário internacional, há uma euforia nas bolsas americanas, com o índice Dow Jones subindo mais de 3%, lembrando o clima de expansão da indústria do século XIX. A perspectiva de desregulamentação financeira e cortes de impostos pelo governo dos EUA tem favorecido setores como óleo, gás e siderurgia, impulsionando o mercado de ações, mas também elevando os juros de longo prazo. Isso reflete temores de que tais políticas possam provocar inflação, com alguns já projetando uma taxa inflacionária de 3% nos EUA para o próximo ano.

2 thoughts on “Copom leva Selic a 11,25%”

  1. Os dados positivos da economia contratam com o modelo abstrato do COPOM e nas regras do sists de metas de inflação. Emprego e tenda aumentam, não existe risco de crise cambial e a dívida pública cresce pelos juros estratosféricos. Assim como qualquer aumento de demanda que gera lucro e expectativa de retorno para o investimento é percebida como ameaça não haverá crescimento sustentado. Achar que a fada confiança vai gerar investimento privado é uma epifania. Você que é um conceituado economista desenvolvimentista acredita no conceito (sic) de produto potencial?

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